“Em Cantelães durmo como um bebé envelhecido”

 

Júlio Machado Vaz, psiquiatra, sexólogo,  autor de vários programas de televisão e rádio sobre as nossas emoções e comportamentos diz que continua a ter insónias mas que na casa que tem em Cantelães, em Vieira do Minho, distrito de Braga, dorme “como um bebé envelhecido”.

O Amor (também) é respeitar o sono de cada um? Mesmo quando um dos elementos  do casal dorme manifestamente demais…?

Na minha experiência o Amor também é respeitar o sono do outro… quando ele ressona.

Como cidadão, preocupa-o que muitos políticos refiram que dormem pouco? Não afectará as suas decisões?

Em teoria, sim, pode afectar os processos cognitivos e a própria saúde física, mas não podemos esquecer a diversidade que nos caracteriza e a qualidade do sono.

O ex-ministro grego Yanis Varoufakis confessou que enquanto foi ministro teve uma vida louca em que dormiu duas horas por noite durante cinco meses…

Valeu-lhe de pouco em termos políticos. Mas suponho que já tenha recuperado as forças naquela pobre casita sobre o mar que apareceu nas revistas.

Freud disse que “o sonho é o fiel guardião da nossa saúde psíquica, da nossa alegria de viver, uma vez que a vida não passa de uma contínua procura do prazer, contrariada pela realidade”…

É verdade, mas não nos esqueçamos dos pesadelos…

Acontece-lhe acordar a meio da noite com uma ideia? Costuma registá-la?

Raramente, é mais frequente acordar por sonhar que estou em reuniões que terão lugar no dia seguinte.

Tem comportamentos de higiene do sono, como não beber café, deitar a horas regulares, etc.

Tento deitar-me entre a meia-noite e a uma e procuro largar os ecrãs um par de horas antes. Mas peco frequentemente.

O que pensa da expressão Deus não dorme?

Se é verdadeira, fizemos tanta asneira que ele se preocupa com outro planeta para se vingar das insónias que lhe provocámos!

Já houve alturas em que sentiu que o sono foi bom conselheiro? Em que medida o ajudou?

Muitas. Sobretudo quando serviu para evitar que caísse em armadilha cada vez mais vulgar neste mundo frenético, reagir em vez de agir.

Já teve insónias? É mais “coruja” ou “cotovia”?

Se já tive? Continuo a tê-las! No Porto, diga-se. Em Cantelães durmo como um bebé envelhecido.

Lembra-se de alguma história pessoal ou profissional divertida com o sono ou a falta dele?

Tal como o meu pai, detesto festejos “de calendário”. E tal como ele, já me aconteceu ser acordado pela tribo para festejar a Passagem de Ano e voltar a adormecer no sofá enquanto os outros saltam de cadeiras e devoram passas.

Pode contar-nos um sonho fantasioso que tenha tido?

Com todo o prazer, sonhei que o Benfica era tri-campeão. Receio que não passe de uma fantasia (risos).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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