40 anos do SNS, 40 mulheres notáveis

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar lançou em novembro de 2019 o livro “40 anos ímpares, 40 mulheres notáveis”, para assinalar o quadragésimo aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e homenagear 40 mulheres que se distinguiram nas áreas da saúde.

Maria de Belém Roseira, Ana Jorge, Marta Temido, Maria do Céu Machado, Maria do Carmo Fonseca, Manuela Peteleiro,  Maria do Céu Machado Teresa Sustelo e Teresa Paiva foram algumas das mulheres distinguidas.   

Laura Aires, Maria de Lurdes Pintasilgo, Maria José Nogueira Pinto foram recordadas a título póstumo, bem como dois homens que foram os pais do SNS, António Arnaut e Albino Aroso.   

No livro, cada uma das 40 mulheres, faz um retrato pessoal do seu percurso.

Teresa Paiva começa por lembrar os tempos de recém-formada em Medicina, a trabalhar no Hospital de Santa Maria.  

“Nas consultas a queixa mais frequente era a cefaleia, inserida numa história de maus tratos, vindos do pai ou do marido, que alcoolizados chegavam a casa e batiam … Nos “bancos” eram comuns as “bebedeiras” nos homens e as crises histéricas nas mulheres, reproduzindo descrições de Charcot, do século XIX. No Toxinas, o bar do HSM, os funcionários iniciavam o dia bebendo uns copos de vinho”, diz a neurologista e especialista em medicina do sono.

“Fui para a Holanda em 1972. No Brain Research Institute tive um treino em Neurociências com o Prof Lopes da Silva que me marcaria para o resto da vida. Para além disso aprendi com as saudades a gostar de Portugal. Voltei em 1975, para um país cheio de esperança e onde tudo parecia possível”, acrescenta.

Após o 25 de abril, Teresa Paiva recorda a consulta de cefaleias em 1976, criada por si e Jorge Santos para tratar “um mal que mói, mas não mata”, “uma dor que não se vê”, bem como o Laboratório de EEG do Centro de Estudos Egas Moniz do qual foi responsável em 1980 por nomeação do Professor Miller Guerra”.

“Depois veio o Sono, em 1983, essa grande paixão intelectual, clínica e científica que passou a ocupar a minha vida médica”, diz Teresa Paiva.

E depois o doutoramento “em 1992, atrasado pela pesada rotina hospitalar, a vida familiar e os deveres de mãe” e a agregação em 1997, com o tema “Tempo, ritmos e funções cerebrais”

“De 2003-16 fui Professora Convidada do Instituto Superior Técnico e integrei a Comissão Organizadora da Licenciatura em Engenharia Biomédica, posteriormente Mestrado integrado, em conjunto com os Professores Lopes da Silva, Dias de Deus, Sampaio Cabral, Teresa Peña, Leonor Parreira entre outros”.

“De 2005-12 coordenei o Mestrado em Ciências do Sono, da Faculdade de Medicina de Lisboa”.

“Reformei-me em 2006. Desde aí as atividades clínica e científica aumentaram significativamente”, conclui a neurologista e especialista em medicina do sono.

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