“Se a hora não mudar, os portugueses podem apanhar mais sol”

Teresa Paiva participou a 8 de janeiro de 2019 num debate na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) sobre a mudança da hora, juntamente com especialistas de outras áreas científicas, como a física e a metereologia.

No centro do debate esteve a recente decisão do Governo de António Costa de manter a mudança da hora duas vezes por ano, com uma hora de inverno e outra de verão, decisão tomada com base num relatório elaborado pelo director do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho.  Recorde-se que em 2018, a Comissão Europeia apresentou uma proposta aos Estados-Membros da União Europeia de abolir a mudança horária, com base num inquérito on aos cidadãos da Europa. Só 0,7 dos portugueses responderam, certamente por falta de informação sobre a iniciativa, e destes 76% escolheram não mudar a hora, mantendo a hora de verão.   

A neurologista e especialista em medicina do sono, defendeu que Portugal não deve mudar a hora, fixando o seu horário na hora de Inverno, “ seguindo o ritmo solar”.

A “hora sensata é a hora de inverno, por ter menos impacto para a saúde pública, A falta de luz é uma terrível doença, devendo apanhar-se luz de manhã e não ao final da tarde”, disse Teresa Paiva.

“O sono dos portugueses é mau e somos o país mais tardio do mundo; há países em desvantagem em relação às horas de luz solar mas têm muitos mais cuidados e horários muito mais regulares. Isto é uma questão de qualidade de vida, é uma questão de saúde”, acrescentou.

Não mudar a hora e adoptar a hora de Inverno, significaria que o sol no Verão nasceria perto das 5h e no Inverno anoiteceria perto das 17h.

“Com a hora de Inverno, os portugueses poderiam apanhar mais sol de manhã, o que é benéfico para a qualidade do sono”, diz Teresa Paiva em declarações ao iSleep.

Teresa Paiva defende que a mudança da hora, sobretudo para a hora de verão,  causa pequenos jet-lag que são prejudiciais ao dormir e aumentam os riscos para a saúde, principalmente para grupos de risco, doentes com cancro ou com perturbações mentais.

“A mudança para a hora de verão assemelha-se a ir de Lisboa para Paris, traduzindo uma privação de sono de uma hora, podendo causar nos primeiros dias cansaço, dor de cabeça, sonolência  e sensação de sono pouco reparador”, diz Teresa Paiva ao iSleep.

“Há estudos que sugerem maior prevalência de acidentes de viação nos dias seguintes à mudança da hora de verão. Também de enfartes de miocárdio”, acrescenta.

Um estudo da Neuroscience Letters refere que a qualidade do sono diminui devido ao facto de as pessoas dormirem uma hora a menos na hora de verão, o que provoca sonolência durante o dia.

Por sua vez, um estudo publicado no The American Journal of Cardiology refere que durante a primeira semana do horário de verão há tendência a verificarem-se mais ataques de coração devido ao aumento do stress.

Segundo alguns estudos finlandeses, as alterações no padrão de sono causadas pela mudança para a hora de verão diminuem o estado de alerta, o que aumenta os acidentes rodoviários.

Também os acidentes laborais ocorrem com maior frequência e têm maior gravidade logo após a mudança para a hora de verão, segundo um estudo publicado no Journal of Applied Psychology.

Teresa Paiva considera ainda que a mudança para a hora de Verão “aumenta o cyberloafing, o ‘vadiar’ pela internet, provavelmente em  consequência da privação de sono”.

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