Chegou a “boa” hora de inverno

A hora de inverno regressa no próximo domingo, defendida por vários especialistas em medicina do sono, entre os quais Teresa  Paiva.  

Na madrugada de 27 de Outubro de 2019, a Hora Legal muda do regime de Verão para o regime de Inverno. Em Portugal continental e na Região Autónoma da Madeira, às 2:00 horas da manhã atrasamos o relógio de 60 minutos, passando para a 1:00 hora da manhã.

Na Região Autónoma dos Açores a mudança será feita à 1:00 hora da madrugada de domingo, dia 27 de outubro, passando para a meia-noite (00:00), do mesmo dia.

Os portugueses vão dormir mais uma hora.

No entanto, em 29 de março de 2020, a hora deverá voltar a mudar para o regime de verão.  

Teresa Paiva há muito que defende o fim da mudança da hora, mantendo-se a hora de inverno.

 “O horário de inverno permite-nos ficar alinhados com a hora solar e é assim que deve ser. Há estudos internacionais que indicam que os efeitos se tornam mais noçivos quanto mais afastados estivermos da direcção do oeste, traduzindo-se num aumento da incidência de cancro e da redução da esperança de vida” refere a especialista e medicina do sono ao iSleep.

“O horário de inverno também permite não ter o pôr do sol tão tarde. Se  apanharmos muita luz à noite há bloqueio da melatonina, tem-se menos sono e vamos mais tarde para a cama. Portugal já é o país mais tardio do mundo”, afirma.

“Quando as pessoas se começam a deitar tarde há uma décalage e o nosso relógio biológico vai tornar-se cada vez mais tardio” conclui.

Matthew Walker, professor de Neurociência e Psicologia na Universidade de Berkeley, é outra voz dissonante daquilo a que chama “experiência global”, “que obriga 1,5 mil milhões de pessoas a reduzir o seu sono nocturno” por uma hora, uma  noite todos os anos. E defende a hora de inverno.  

No seu livro “Porque Dormimos”, editado em Portugal pela Desassossego, o especialista do sono norte-americano  escreve:  “no Hemisfério Norte, a mudança da hora em março faz com que a maior parte das pessoas perca uma hora de sono. Se comparasse os milhões de registos hospitalares diários, como os investigadores já fizeram, descobriria que esta redução aparentemente trivial do sono coincide com um pico assustador de ocorrências de ataques cardíacos no dia seguinte. De modo impressionante, o contrário também se verifica. No outono do Hemisfério Norte, quando os relógios avançam e ganhamos uma hora de sono, as taxas de ataques cardíacos verificados no dia seguinte descem vertiginosamente. Pode observar-se uma oscilação semelhante no número de acidentes de viação, o que prova que o cérebro, por via de lapsos de atenção e episódios de microsono, é tão sensível como o coração  às pequenas perturbações do sono. A maior parte das pessoas pensa que perder uma hora de sono numa única noite não tem a menor importância, acreditando que é apenas um detalhe trivial e sem consequências. Mas é tudo menos isso.”

A mudança da hora na Europa está envolta em polémica. O Parlamento Europeu aprovou em março de 2019 uma proposta para terminar a mudança de hora. Mas alguns países europeus são contra, entre  os quais o governo de António Costa é contra, defendendo que deve continuar a haver uma hora de inverno e uma hora de verão, sustentado num relatório do Observatório Astronómico.     



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