“A redução do sono em crianças e adolescentes tem consequências a longo prazo”

Teresa Paiva fala ao iSleep por ocasião do Dia Mundial do Sono que amanhã, 15 de março de 2019, se celebra em dezenas de países, este ano sob o lema “Dormir bem, envelhecer melhor”.

“Nas duas primeiras décadas de vida o sono sofre evoluções profundas, que paralelizam os aspectos essenciais do desenvolvimento físico, emocional, intelectual e social, num intercâmbio de mútua modelação”, diz a neurologista e especialista em medicina do sono.

“A redução do sono em crianças e adolescentes é um problema importante de saúde pública pelas suas consequências a longo prazo em termos de doenças crónicas, obesidade, hipertensão, diabetes tipo II, depressão e insónia que vão durar toda a vida”, acrescenta.

“As maiores agressões ao sono advêm de erros comportamentais, um ambiente sem horas, sem pausas, sem regras, com muitas solicitações e exigências, num meio familiar cansado e irritável, quantas vezes precário por causa da falta de dinheiro ou de zangas familiares.”  

“Há erros alimentares, como sair de casa sem tomar o pequeno almoço, comer à pressa durante o dia, ter um jantar tardio, que prejudicam muito o sono”, diz Teresa Paiva.  

A neurologista e especialista em medicina do sono fala ainda de outros “ladrões do sono”, “os telemóveis, as redes sociais, os motores de busca, com a agravante de os dispositivos electrónicos que são utilizados emitirem luz azul artificial que dificulta o sono.”

O resultado destas más práticas é a privação do sono. Segundo Teresa Paiva, “a privação do sono constitui risco de hipertensão arterial porque aumenta a produção matinal de cortisol (a hormona do stress). Também cresce o risco de diabetes porque aumenta a resistência à insulina”, acrescenta.

“A privação do sono também faz engordar porque reduz a produção de leptina, cujos níveis adequados nos reduzem o apetite, e aumenta a produção de orexina, que estimula o apetite”, afirma Teresa Paiva.  

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