“A violência afecta o sono de milhares de vítimas passivas”

Teresa Paiva participou de 8 a 12 de junho no Sleep 2019, o principal fórum mundial sobre sono, que se realizou em San Antonio, no Texas, Estados Unidos, reunindo centenas de especialistas de sono dos quatro cantos do mundo.

O meeeting, que se realiza desde 1986, é organizado pela Academia Americana de Medicina do Sono (AAMS) e pela Sociedade de Pesquisa do Sono (SRS). 

A neurologista e especialista em medicina do sono fez uma intervenção  sobre “o sono e violência”, num país em que se dorme cada  vez menos e em que os índices de criminalidade são por norma elevados.  

“As vítimas de crime sofrem ou de stress agudo, com manifestações de insónia, flashbacks, irritabilidade, ansiedade, fadiga, dificuldades de memória e concentração, ou de stress pós-traumático, em que as manifestações são ainda mais graves, com insónia complexa, pesadelos graves, depressão e fadiga” referiu Teresa Paiva.

“Outras vítimas sentem desrealização, negação, ou sentido de injustiça (porquê a mim?) ou raiva, rancor ou vingança”, disse.

“Também há vítimas passivas, como por exemplo os habitantes de uma zona onde houve um crime, que têm problemas de sono nas noites seguintes. Adormecem mais tarde, disrupções na produção de cortisol, principalmente as crianças, o que aumenta o stress”, adiantou Teresa Paiva.

Por sua vez, “quem assiste a actos violentos ou acções terroristas tende a ter insónia transitória e inclusão dos conteúdos violentos nos sonhos nos dias subsequentes”, concluiu.

O Sleep 2019 envolveu  mais de 90 sessões e 1000 papers, selecccionados pela sua elevada qualidade por uma equipa técnica de triagem, tendo funcionado com sessões interactivas, de perguntas dos participantes aos especialistas do sono convidados, entre os quais Teresa Paiva.  

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