“Acorda-se tonto, esfarrapado da refrega”

A escritora Rita Ferro fala-nos do sonho no segundo volume do seu Diário: “Mais uma noite de sono denso e confuso. Enquanto sonhamos, alguém nos humilha, arriscamo-nos como heróis de banda desenhada, salvamo-nos à risca. Acorda-se tonto, esfarrapado da refrega, desconfiado. E chega a manhã para nos dizer ‘veste a farda’. E chega o pequeno almoço da recaída: ‘O que foste ontem, minha menina, serás hoje também’. Que raiva. Há quem quebre este círculo infernal transcendendo-se aqui e ali, mas é ilusão. Morrerás quem sempre foste”

In Rita Ferro, Só se Morre Uma vez , Dom Quixote, Lisboa 2015

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