“Acordo às duas e meia da manhã há 14 anos”

Carla Trafaria, jornalista da RTP, apresentadora do programa “Bom  Dia Portugal”, faz uma sesta à tarde para compensar levantar-se de madrugada. Às oito  da noite está deitada.

Faz o noticiário “Bom Dia Portugal” da RTP há vários anos, o que penso implica acordar muito cedo? Que hábitos de sono criou com este horário?  

No meu caso em particular , porque moro longe , fazer parte da equipa do ” Bom Dia Portugal ” significa acordar às 2.30 da manhã , rotina que já cumpro há cerca de 14 anos . Ao longo deste tempo fui experimentando  várias formas de habituação ao horário . Desde o dormir algumas horas à tarde, até à versão atual que passa por deitar-me por volta das oito da noite , tentando dormir no mínimo em média seis horas por noite .

Como adaptou o seu relógio biológico a este horário? Segue comportamentos de higiene do sono, como não beber café à noite, deitar e levantar a horas regulares, etc.?

Nunca sendo 100% eficaz , para mim a chave para a adaptação foi o tentar cumprir o mais escrupulosamente possível o horário de dormir , até porque a de acordar está definida à partida. Claro que muitas vezes, por imperativos de vária ordem, não me consigo deitar a essa hora, o que no final da semana , por vezes, se traduz num deficit de sono considerável. De resto não bebo café, até porque também não janto. Durmo com tudo escuro e sem qualquer tipo de ruído no quarto.

No fim-de-semana faz os mesmos horários ou altera-os? Aproveita para dormir mais?

Nos fins- de-semana , mesmo que não trabalhe , raramente consigo dormir para além das 6.30 ou sete da manhã, independentemente da hora a que me deite .

Que implicações teve este horário na sua vida pessoal? 

Como se percebe este horário obriga a mudar toda a rotina, e é de resto contrário ao da maioria das pessoas. Como já referi até a hora das refeições passa a ser diferente. Almoço por volta do meio dia e durante a semana não janto. Qualquer compromisso  social , passando por um simples jantar fora está completamente vedado. Por outro lado, saio do trabalho às 11.30 , o que me deixa bastante tempo livre , mas não em termos de convivência com o círculo de família ou amigos , uma vez que a maioria das pessoas trabalha a essa hora.

Já houve situações na sua vida em que o sono foi bom conselheiro?

Muitas mesmo. O sono repõe desde a energia física à capacidade intelectual, o que é por vezes determinante para poder tomar uma boa decisão. Com o deficit de sono , há um deficit de atenção que afeta o discernimento. Além disso, há, como todos sabemos, problemas que parecem de grande dimensão e que depois de uma boa noite de sono praticamente deixam de existir.

Algum  entrevistado do “Bom Dia Portugal”  lhe fez referência a qualquer aspecto curioso relacionado com o sono? Ou com os sonhos?  

Já tivemos no programa vários especialistas a falar sobre esta matéria, nomeadamente a Dra Teresa Paiva . Um dos aspetos mais curiosos, ou pelo menos mais emblemáticos de que me lembro, é o facto de quando dormimos poucas horas podemos até nunca  entrar na fase do sono, em que se registam os sonhos

Muitos políticos dormem pouco, Trump, Macron, Marcelo Rebelo de Sousa. Devemos sentir-nos tranquilos face às decisões cruciais que tomam?

Penso que nesse caso o grau de confiança não terá tanto a ver com as horas de sono mas sim com a personalidade de cada um. Além de que cada pessoa tem o seu próprio registo biológico , pelo que o número de horas de sono necessárias pode variar.

Lembra-se de alguma história pessoal ou profissional  divertida com o sono ou a falta dele?

Não que seja muito engraçado , mas é pelo menos recorrente. No meu vocabulário do dia a dia , e sem perceber bem como , deixou  de haver as expressões ” boa tarde” e “boa noite “. A saudação é feita sempre com um ” bom dia” independentemente da hora. Um destes dias no jornal das 21, virei-me para o convidado em estúdio , com um efusivo : “Bom dia, obrigada por estar connosco esta noite”…

 

 

 

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