Antero de Quental: “Quando me roçou o teu vestido, abri o meu olhar, acordo agora”

 

Antero de Quental

Antero de Quental (1842-1891) evoca neste poema e sonho proibidos muito mais do que a  comunhão política liberal com a rainha D. Maria II (1819-1953). Estrofes também cantadas pelo fadista Camané no fado Maria II.

 

Nova luz, que me rasga dentro d´alma,

Dum desejo melhor me veste a vida…

Outra fada celeste agora leva

Minha débil ventura adormecida.

 

Não sei que novos horizontes vejo…

Que pura e grande luz inunda a esfera…

Quem, nuvens deste inverno, nesse espaço,

Em flores vos mudou de primavera?!

 

Se as noites nos enviam mais segredos,

Ao sacudir seus vaporosos mantos,

Se desprendem do seio mais suspiros…

É que dizem teu nome nos seus cantos.

 

Nem eu sei se houve amor até este dia…

Nem eu sei se dormi até esta hora…

Mas, quando me roçou o teu vestido,

Abri o meu olhar – acordo agora!

 

Antero de Quental, Maria, (versão adaptada)