“Após o turno da noite tento não dormir muito de dia”

INEM

Carlos Gonçalves, tripulante de ambulância do INEM, faz entre dois a cinco turnos à noite por mês, o que o leva a ter preocupações com a higiene do sono. Não dorme muito de manhã para não perder o sono à noite e tenta recuperar as horas perdidas quando pode.     

Quantos turnos à noite faz por mês  como tripulante de ambulância do INEM

De dois a cinco.

Este trabalho noturno desequilibra-lhe o ritmo do sono nos dias seguintes? Em que medida?

Sim, se dormir depois de uma noite de trabalho, fico sem sono na noite seguinte.

O que faz para recuperar?

No dia seguinte ao turno da noite durmo da parte da manhã apenas as horas suficientes para aguentar o resto do dia, para não ficar sem sono na próxima noite.

Também lhe causa desajustamentos no campo familiar ou social? Em que medida?

Atualmente moro em casa própria com amigos. Já vivi com uma companheira e o trabalho por turnos não foi um problema. Até acho saudável para uma relação que existam “momentos individuais”, o que se consegue melhor com o trabalho por turnos.

No campo social, apenas sinto desajustamentos quando quero participar em atividades com amigos e fico impedido por ter horários diferentes da maioria. Mas também existem situações inversas, sentindo que tenho sorte por conseguir fazer coisas em horários que quem trabalha em “horário normal” não pode.

Que comportamentos de higiene do sono costuma adotar para  si próprio em virtude dos turnos  à noite?

Durmo mais horas quando posso, para compensar as horas perdidas.

Já acorreu a algumas situações de emergência relacionadas com perturbações de sono, terrores noturnos, sonambulismo, síndrome das pernas inquietas, etc?   

Apenas quando os sintomas são confundidos com Síndromes Cardíacos.

Há muitas situações de falso alarme à noite em virtude das pessoas estarem mais inquietas, por exemplo por insónia, e interpretarem alguns sinais erradamente, nomeadamente em relação a problemas de coração ou outra doença?   

Alguns. Principalmente palpitações e dor no peito, que as pessoas associam a problemas de coração mas que na verdade são derivadas de situações de ansiedade.

Penso que o Carlos Gonçalves tem formação especial para acorrer a casos de burnout. A insónia é muitas vezes um sinal de alarme para este síndrome  

Não damos resposta diretamente ao burnout na medida em que não é uma situação de emergência médica. Indiretamente sim, através das crises de ansiedade a que acorremos.

Já alguma vez teve uma insónia?

Nem me lembro da última vez que tive insónias na vida. Talvez por ser uma pessoa bastante ativa quando me deito nunca demoro mais de quinze a vinte minutos a adormecer. Na minha opinião o exercício físico é o melhor remédio para quem tem insónias.

 Tem alguma história pessoal curiosa relacionada com o sono ou a falta dele?

Apenas me aconteceram situações banais relacionadas com atrasos por não ouvir tocar o despertador à primeira vez.

Comments are closed.