“As formigas preferiam dormir a comer”

Michael Rosbash, Jeffrey Connor Hall e Michael Warren Young, cientistas norte-americanos, conquistaram esta segunda-feira o Prémio Nobel da Medicina pelas descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano.

O ciclo circadiano ou o chamado relógio biológico faz com que todos os seres humanos e mais amplamente os organismos vivos estabeleçam uma sincronização e se adaptem a factores do ambiente externo, tendo a luz do sol como factor principal.

As investigações premiadas dos laureados, com mais de duas décadas,  mostram como funcionam os genes que estão ligados ao sono e à forma como regulamos o nosso metabolismo nas diferentes fases do dia.

Os premiados recorreram ao modelo da mosca-da-fruta para perceberem que os organismos vivos, incluindo os seres humanos, desencadeiam uma série de ligações que nos preparam para acordar, mesmo antes do nascer do sol e nos preparam para dormir à noite.

A questão dos ritmos circadianos nos seres humanos e nos organismos vivos tem sido muito abordada no iSleep. Teresa Paiva já referiu várias vezes nas páginas da plataforma digital que  “a luz do sol é o nosso sincronizador essencial”, que “há uma produção e regulação das hormonas ao longo do dia e da noite” e que “todos os erros cometidos ao nível da disrupção do ritmo circadiano têm  consequências terríveis”, causador de várias doenças.

Também Irene Tobler, a maior especialista mundial no sono dos animais disse há dois anos numa entrevista ao iSleep: ” quando era jovem, o tema da minha tese de mestrado envolveu o estudo das formigas. Instalei-me com um saco cama na dispensa e programei o despertador para acordar de duas em duas horas para observar o comportamento das formigas: raramente alguma saía do ninho. Concluí então que dormiriam, mal sabendo ainda que toda a minha carreira profissional iria ser dedicada à investigação do sono”.

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