Cimeira do clima: sucesso deveu-se ao bom sono dos negociadores?

Christiana Figueres

Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 21), mais conhecida como Cimeira do clima, que terminou esta semana em Paris, fez há duas semanas, no início da  Convenção, um apelo original a todos os negociadores para que “dormissem o suficiente de forma a manterem-se focados na discussão” das matérias, segundo é referido pelo Energy Guardian.

As cimeiras do clima, que envolvem países de todo o mundo, com centenas de representantes políticos e membros das equipas técnicas costumam prolongar-se por vários dias. A cimeira de Paris deste ano, com 195 países representados, durou 16 dias. As negociações sobre o clima são, em regra, demoradas, durando de manhã à noite, prolongando-se pela madrugada fora. Daí  Christiana Figueres, uma experiente diplomata das Nacões Unidas, com nacionalidade costa-riquenha, que já dirigiu anteriores cimeiras, ter feito o apelo para que os negociadores dormissem o suficiente para tomarem boas decisões.

Não se sabe se todos os representantes da Cimeira do clima seguiram o conselho de  Christiana Figueres mas o certo é que a Convenção deste ano foi um sucesso, terminando esta semana com um acordo histórico com vista à assinatura de um novo tratado internacional para diminuir as emissões de carbono e conter a subida da temperatura do planeta a 1,5º C.

Os especialistas em medicina de sono em todo o mundo são unânimes em considerar que a privação do sono pode provocar défices de cognição, afectando gravemente a capacidade de decisão.  Michael Chee, director do Centro de Neurociência Cognitiva na Graduate Medical School, em Singapura, autor de um  estudo sobre privação do sono, considerou  em declarações ao jornal britânico “The Guardian” que “as pessoas com privação do sono tomam decisões mais arriscadas, tornando-se mais insensíveis ao fracasso”.

Alguns dos piores desastres ambientais e de saúde humana foram em parte atribuídos à privação do sono. Entre eles estão a explosão do Space Shuttle Challanger norte-americano em 1986 e o acidente com o navio Exxon Valdez , em 1989, que se deveu à exaustão dos tripulantes em ambos os casos.

 

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