“Compreendi que sonhava”

Um sonho no livro de José Eduardo Agualusa “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários”: “A figueira contorcia-se na tarde como se o vento lhe fizesse cócegas. Gostei logo dela. A árvore gargalhava debruçada sobre o muro. Um corvo, ou talvez não fosse um corvo, era, em todo o caso, uma ave maciça e escura como um corvo, caiu de entre as folhas e olhou para mim como um corvo olharia a curiosa figura de um homem- depois ladrou. Surgiram outros pássaros idênticos. Cercaram-me rosnando. A figueira já não ria. Agora enrolava-se, ameaçadora, como um polvo prestes a atacar. Compreendi que sonhava.”

in José Eduardo Agualusa, A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, editora Quetzal, Lisboa 2017

You must be logged in to post a comment