Conferência lança rede interdisciplinar do sono

A conferência que o Centro do Sono- Teresa Paiva (CENC) organizou com outros parceiros no Dia Mundial do Sono a 17 de Março foi muito mais que um fórum de debate com sala cheia sobre temas do sono e lançou a primeira pedra para a criação de uma rede interdisciplinar sobre o sono, juntando profissionais de várias áreas que fizeram intervenções na conferência, médicos neurologistas, psiquiatras, pneumologistas,  otorrinolalaringologistas, pediatras, médicos dentistas, cronobiólogos, psicólogos, técnicos de polissonografia, fisioterapeutas.

Está também prevista a participação na rede interdisciplinar sobre o sono de doentes com diferentes perturbações do sono.  Alguns deles  estiveram presentes  na conferência de 17 de Março  e no final  participaram activamente nas sessões de esclarecimento com os vários especialistas, lançando perguntas sobre os problemas do sono.

A iniciativa do CENC, Centro de Electroencefalografia e Neurofisiologia Clínica- Dra. Teresa Paiva, intitulada “O Sono não se discute. Desafios da Medicina do Sono”, contou com intervenções da Prof. Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono,  Prof. Cristina Bárbara, pneumologista, Prof. Óscar Dias, Otorrinolaringologista,  Prof.ª Helena Rebelo Pinto, psicóloga, Dr. João Cardoso, pneumologista, Dr. Fernando Galrão, Otorrinolaringologista, Dra. Ana Santa Clara, psiquiatra, Dra. Carla Bentes e Dra. Rita Peralta, neurologistas, Dra. Rosário Ferreira, pediatra, Dr.ª Gabriela Videira, médica dentista, Dra. Teresa Rebelo Pinto, psicóloga, Dra. Cátia Reis, cronobióloga, Dra. Sofia Rebocho, técnica de cardiopneumologia e somnologista, Dra. Joana Belo, técnica de cardiopneumonlogia,  e Dr. Filipe Videira, fisioterapeuta.

Teresa Paiva referiu que nos tempos de hoje “o sono é que paga”.

“Há adultos com muitas responsabilidades, à procura de sucesso, que trabalham de mais. Toda a gente tem a mania de trabalhar muito em Portugal, Portugal é o país onde se trabalha mais mas com pouca produtividade.

“As crianças também estão com muitas actividades de manhã à noite”.

“Depois é inevitável que todos cortem no sono”, disse Teresa Paiva.

Cristina Bárbara e João Cardoso, pneumologistas, e Óscar Dias e Fernando Galrão,  otorrinolaringologistas, tiveram intervenções centradas na apneia do sono e nos avanços científicos na área, com aparelhos cada vez mais sofisticados, CPAP de pressão fixa e AutoCPAP de pressão auto-ajustável.

Sofia Rebocho, técnica de polissonografia no CENC, também abordou aspectos relacionados com a apneia do sono, perturbação perfeitamente detectada através das polissonografias, que registam as paragens respiratórias e os microdespertares dos doentes.

Helena Rebelo Pinto e Teresa Rebelo Pinto, psicólogas no CENC, tiveram intervenções centradas nas terapias cognitivo comportamentais para resolver muitos problemas de insónias e outras perturbações do sono. Deitar e levantar a horas regulares, não fazer exercícios físicos excessivos à noite, não utilizar antes de deitar aparelhos electrónicos que emitem luz e prejudicam o sono, foram alguns dos conselhos dados pelas duas especialistas.

Ana Santa Clara, psiquiatra no CENC alertou para a insónia e o sono fragmentado serem muitas vezes uma consequência da depressão e desta também originar  problemas do sono. A psiquiatra lamentou ainda o facto de Portugal ser um dos países onde se consomem mais antidepressivos e ansiolíticos, sendo adepta de terapêuticas alternativas, como o fazer exercício diário.

Cátia Reis, cronobióloga no CENC, lembrou que os portugueses são um dos povos que mais tarde se deita e mais tarde se levanta no mundo. Mesmo em relação aos espanhóis, os portugueses deitam-se meia-hora mais tarde. Cátia Reis falou ainda sobre o jet lag social, desfasamento típico do mundo moderno que leva a que as horas de trabalho e os compromissos sociais não sejam compatíveis com o relógio biológico.

Gabriela Videira, médica dentista no CENC, alertou para a importância de analisar a cavidade oral dos pacientes, tendo em conta o tamanho da língua, ou se os pacientes apresentam bruxismo, o ranger dos dentes  que está associado a problemas do sono.

Filipe Videira, fisioterapeuta no CENC, fez uma intervenção baseada na importância da terapia neuromuscular para tratar diversas perturbações do sono.

A conferência foi organizada pela ResMed, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica (FCH-UCP), pelo Centro de Electroencalografia e Neurofisiologia Clínica (CENC) e pela Sociedade Portuguesa de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SPDOF).

 

 

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