“Devemos ter só um horário, o horário de inverno”

Teresa Paiva esteve na semana passada na TVI, no programa da manhã “Você na TV”, de Manuel Luís Goucha, para falar sobre a mudança da hora.

A neurologista e especialista em medicina do sono defende que devíamos manter sempre a hora de inverno, ou seja atrasar uma hora aos relógios, tal como fizemos na madrugada de domingo passado, 28 de outubro de 2018, mas manter esta hora para sempre.

Como é sabido, o governo português decidiu manter dois horários, o horário de inverno e o horário de verão, o que faz com que os relógios voltem a adiantar uma hora no último fim-de-semana de março de 2019.

A tomada de decisão do executivo foi fundada exclusivamente num parecer do Observatório Astronómico de Lisboa, presidido pelo físico Rui Jorge Agostinho, sem a participação de médicos e especialistas do sono portugueses.

“Devemos ter só um horário, o horário de inverno. O horário de verão é muito perigoso porque não devemos ter o pôr do sol tão tarde. É essa a recomendação da Sociedade Europeia de Cronobiologia, mas antes dela já  eu defendia isso”, disse Teresa Paiva.

Se mantivermos o horário de inverno ficamos alinhados com a hora solar e é assim que deve ser. Há estudos feitos, na Europa, na  Rússia, na China, que indicam que quanto mais afastados estamos da direcção do oeste, mais efeitos nocivos temos, como um aumento da incidência de cancro e da redução da esperança de vida”, acrescentou.

“Se se apanhar muita luz à noite há bloqueio da melatonina, Tem-se menos sono e vamos mais tarde para a cama. Não é o meu entender, é assim, científico”, concluiu.

“Ter o horário de verão é ainda particularmente nefasto porque já somos o país mais tardio do mundo, o país do mundo que vai para a cama mais tarde, o nosso cronotipo chega a ser mais tardio do que a Espanha, e este horário de verão ainda torna as pessoas mais noctívagas”, referiu ainda a especialista em medicina do sono.

“Não se pode jantar às dez da noite, como acontece hoje muitas vezes. Se se janta a esta hora, é natural que se vá para a cama muito tarde”, adiantou.

“Quando as pessoas se começam a deitar tarde há uma décalage e o nosso relógio biológico vai tornar-se cada vez mais tardio” disse.

 

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