“A doçura que, nessa idade, acompanha o descanso”

O escritor Italo Szevo, nascido em Triestre, escreve sobre o sono delicioso das crianças em “A Consciência de Zeno”, o seu romance mais conhecido.

“Num dia de verão, após um passeio escolar, voltei a casa fatigado e coberto de suor. Minha mãe ajudara-me a despir e depois, envolvendo-me num roupão, estendera-me a dormir num sofá, onde ela mesmo se sentou ocupada em qualquer trabalho de agulha. Passei pelo sono, mas tinha os olhos cheios da claridade do dia e custava-me a perder de todo a consciência. A doçura que, nessa idade, acompanha o descanso depois duma grande fadiga aparece-me como uma imagem isolada, tão nítida e tão distinta como se tivesse junto de mim esse querido vulto que já não existe”.

Italo Szevo, A Consciência de Zeno, Dom Quixote, Lisboa 2009

 

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