Dois sonhos de Al Berto

Nos seus diários o poeta Al Berto (1948-1997) conta dois sonhos que teve, um em 5 de Fevereiro de 1984 e outro em 1 de Março de 1984.

“Sonhei com gigantescas áreas de terra branca que a determinada altura verdejaram, depois, parecia que mais uma estação passava por ali, aquelas áreas brancas e verdes tornavam-se fogo, solidificavam-se, perdiam o aspecto nebuloso, tinham consistência de metal. Refulgiam. Esboçou-se por primeira ave cuja plumagem parecia de água e o seu canto espalhou-se como um sol…”

“Sonhei imenso mas quase não me recordo do que sonhei. Grande barafunda de imagens plásticas. Deformadas. A cores. Por vezes o sonho (isto é, como se o sonho fosse projectado num écran, como um filme) era metade a preto e branco (metade do écran) e a outra metade (do écran) a cores. Assim, tudo circulava de um lado para outro, passando repentinamente da cor ao p. e b., ou vice-versa. Estranho”.

in Diários, Al Berto, editora Assírio e Alvim

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