“Dormia todos os dias meia hora de sesta no Palácio de Belém”

Joaquim Aguiar, o consultor político de Mário Soares enquanto este foi Presidente da República entre 1986 e 1996 diz ao iSleep que Soares “dormia todos os dias meia hora de sesta a seguir ao almoço no 2º andar do Palácio de Belém”. “Viamo-lo subir e  já sabíamos que ia dormir, depois aparecia como novo”, acrescenta Aguiar.

O ex-consultor político recorda que nunca ouviu queixas a Soares em relação a dormir mal. “De noite parece que dormia bem mas não dispensava a sesta” (Mário Soares não viveu no Palácio de Belém, mantendo a residência na sua casa do Campo Grande).

Mas não eram apenas as sestas que faziam de Soares um homem de bem com o sono. O ex-Presidente da República aproveitava muitos tempos mortos para dormir uns minutos e retemperar energias. Muitos amigos e apoiantes que trabalharam com ele lembram esta faceta ao iSleep, como é o caso de Margarida Pinto Correia, mandatária para a juventude de Mário Soares na segunda candidatura presidencial deste em 1991.

“O Presidente Mário Soares tinha uma capacidade infinita de aproveitar o sono. Entrava no carro depois de estar numa praça cheia de populares, gritaria, barulho e discurso inflamado, e punha espantosamente a adrenalina no saco. Dois minutos depois estava a dormir. Mini sestas, às vezes de 15 minutos, até à paragem seguinte, onde os assessores lhe sussurravam onde estava. Ao sair do carro parecia ter estado horas a preparar o discurso, de novo inflamado, que contagiava a população. E assim sucessivamente. Podia adormecer ao serão enquanto programávamos o dia seguinte ou comentávamos a campanha da oposição, mas ouvia sabiamente tudo… e dormia, e comentava, e dormia, e comia, e falava, e estava sempre presente. Um dom invejável mas não comum”.

Muitas outras histórias se contam sobre o sono de Soares.  No dia do debate televisivo com Freitas do Amaral para as eleições presidenciais de 1986, Mário Soares foi aconselhado pelos seus assessores, um dos quais Victor Cunha Rego, a preparar alguns dossiers. Mas Soares preferiu dormir um bom par de horas. Como é sabido, o debate correu-lhe bastante bem e foi decisivo para a vitória presidencial de Soares.

Outra história, contada pela historiadora Irene Flunser Pimentel ao iSleep parece um filme cómico: “numa ocasião em que recebeu, enquanto Presidente da República, uma delegação protocolar de chineses, estes entraram na sala e o serviço de protocolo disse-lhes que a audiência duraria meia hora. Ao fim de meia hora, uma hora… o protocolo resolveu abrir a porta, pois ninguém saía e depararam com Mário Soares a dormir e os elementos da delegação chinesa em silêncio e na expectativa.  Possivelmente terão pensado que se tratava de um protocolo português”.

 

 

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