“É uma barbaridade retirar a sesta a crianças de três, quatro anos”

Teresa Paiva comentou ao jornal “Correio da Manhã” a aprovação da resolução da Assembleia da República, publicada em Diário da República a 12/09/2019, que recomenda ao Governo a introdução da sesta na educação Pré-escolar, dos 3 aos 5/6 anos.

Atualmente, a maioria das crianças não dormem a sesta, sobretudo nos estabelecimentos públicos.  

“Este é um problema fundamental de saúde pública. É uma barbaridade retirar a sesta a crianças de três, quatro anos e até mais velhas. Mais de 90 por cento destas crianças precisam destas horas de sono”, disse a neurologista e especialista em medicina do sono ao jornal.

Teresa Paiva avisa que retirar a sesta pode provocar “dificuldades de aprendizagem, alterações no comportamento, risco de aumento de peso, obesidade e diabetes, risco de quedas e acidentes domésticos”.

“Dormir mal nestas idades provoca uma espécie de assinatura negativa e dá muitos problemas na idade adulta”, acrescentou.

A Resolução da Assembleia da República n.º 178/2019, publicada no Diário da República de 12 de setembro recomenda ao Governo que estude a possibilidade de introdução da sesta na Educação Pré-Escolar nos seguintes termos:

“1 – Estude e avalie a possibilidade da introdução da sesta nos estabelecimentos de educação pré-escolar, considerando, entre outros, os seguintes aspetos:

a) A importância do sono no desenvolvimento das crianças;

b) A articulação da implementação da sesta com as orientações curriculares para a educação pré-escolar e a organização dos horários e tempo letivo e não letivo dos educadores de infância;

c) As condições materiais e humanas que são necessárias garantir para um período de sono com qualidade.

2 – Promova um debate público sobre esta matéria, envolvendo a comunidade educativa, profissionais nas áreas da educação, pedagogia, saúde e ciências sociais, as organizações representativas dos trabalhadores e os pais, as famílias e suas associações”.

A resolução foi aprovada em plenário com os votos favoráveis do PSD, BE, CDS-PP, PCP, PEV, PAN, e deputado Paulo Trigo Pereira. O PS votou contra. Nos trabalhos preparatórios da aprovação da resolução, a deputada do PS, Maria Augusta Santos sustentou que a sesta não deve ter um carácter obrigatório.    

No texto da Comissão de Educação e Ciência, presidida pelo deputado socialista Alexandre Quintanilha, pode ler-se que “a Deputada Maria Augusta Santos (PS) informou que há uma petição sobre a mesma matéria, tendo já decorrido a audição dos peticionários. Mais realçou que a Sociedade Portuguesa de Pediatria, num documento que publicou, recomenda que haja condições para a sesta das crianças até 5, 6 anos, mas sem caráter obrigatório. Referiu, ainda, que a avaliação da matéria relativa à sesta das crianças deve ser abordada no âmbito da autonomia das escolas, devendo ser equacionada por cada escola e em articulação com as famílias e as autarquias, atendendo às competências que estas têm, há já alguns anos, realçando que a sesta não deve ter caráter obrigatório”.

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