“Estive em risco de vida e se ficar sem o CPAP adeus”

 

Pedro Antero Martins, 56 anos, engenheiro civil, sofre de apneia do sono há várias décadas mas a doença só lhe foi diagnosticada tardiamente. Deixou de ressonar com o CPAP, passou a dormir sete horas por noite e nunca mais teve uma dor de cabeça. Melhorias a fazer: tornar o aparelho mais silencioso e incorporar uma pilha interna para falhas de electricidade.

Há quanto tempo tem apneia do sono? Até conhecer o diagnóstico médico demorou muito?  

Com apenas meses de idade contam os meus pais que me deitavam no berço de costas e que incompreensivelmente eu me virava sozinho e adoptava a posição de bruços. E só assim dormia. Era para impedir que a língua descaísse para trás e obstruísse a respiração. Até aos 35 anos não me apercebi da patologia embora dormisse muitas horas, entre oito a dez horas.

Antes do diagnóstico, sentia que o seu sono era pouco reparador? E tinha insónias?

A partir dos 35 anos engordei e ressonava cada vez mais. O sono não era reparador e adormecia de dia. Acordava várias vezes durante a noite. De semana a semana tinha enxaquecas de dois dias. Nunca tive insónias.

Que efeitos causavam estes estados no dia-a-dia?

Dor de cabeça, cansaço diário, e um certo torpor para iniciar tarefas. Além de irritabilidade, ainda que moderada.

E depois  do diagnóstico e da intervenção terapêutica  que benefícios notou?

A minha mulher levou-me a uma consulta do sono, onde me foi diagnosticada obstrução pela língua, com 158 apneias por noite, algumas de um minuto. Há quinze anos que durmo com o auto-CPAP e o ressonar terminou. Nunca mais tive uma dor de cabeça e passei a dormir sete horas por noite, sem voltar a ter sono durante o dia. Mas algo que não conhecia sobreveio, que é  o acordar de manhã com todos os músculos do corpo semirigídos.

Teve consciência do perigo que enfrentou antes do diagnóstico ser feito e a intervenção ter início? 

Certamente. Perigo de morte. E se ficar sem o CPAP adeus.

A adaptação ao dispositivo mecânico foi fácil para si? Considera-o eficaz?

Adaptei-me de imediato, com gosto e prazer de sentir o ar respirado a fluir para os pulmões. Senti uma eficácia igual a… vida.

O dispositivo é intrusivo no campo familiar? 

A minha mulher adaptou-se difícilmente ao ruído do CPAP. E hoje, quinze anos depois, ainda se queixa.

Tem casos de história familiar com apneia do sono ou outras patologias do sono?

Não, já averiguei.

Na perspectiva do doente com apneia do sono, o que falta fazer ou ser inventado para melhorar mais a sua qualidade de vida?

Diria que é necessário um CPAP mais silencioso e com uma pequena pilha interna que aguente uma falha de electricidade de duas ou três  horas, recarregável na corrente. Penso que esta patologia devia ser considerada pelos poderes públicos com um certo grau incapacitante de deficiência pois reduz efectivamente a esperança de vida.

 

 

 

 

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