Hoje o católico já não dorme descansado…

 

No famoso ensaio do século XIX, “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber lembra que “o protestante prefere comer bem, enquanto o católico prefere dormir descansado”.

O sociólogo alemão refere que para um protestante era “absolutamente condenável de um ponto de vista ético dormir mais que o necessário à saúde – 6, no máximo 8 horas.”

Hoje, a realidade desmente esta análise. Os povos da Europa do Sul estão a dormir cada vez menos, como se os mandamentos da ética protestante se tivessem imposto a todo o continente europeu. O “tempo é dinheiro”, como dizia Benjamin Franklin, e aqueles que estão a dormir não estão a trabalhar e a ser produtivos.

Há  naturalmente quem critique esta  “ditadura” dos novos hábitos imposta à Europa do Sul, como é o caso  do filósofo italiano Giorgio Agamben, que propõe mesmo a criação de uma espécie de baluarte “latino”, composto pela França, Itália, Espanha e Portugal, em defesa do culto de vida mediterrânico, sem preconceitos em relação aos que dormem mais e não vivem só para trabalhar.