“Hoje não vivo em guerra com o tempo”

Stress Alan Cleaver
Pedro Vasconcelos, 28 anos, gestor comercial, vivia mergulhado no trabalho, dependente do computador e dos telemóveis. Começou a dormir mal, a acordar cansado e a ter sintomas depressivos e ansiosos. Só melhorou com ajuda especializada. Ao iSleep conta em discurso directo o que sofreu e como recuperou.

“Vivemos numa época de excesso de informação. Depois de acabar os meus estudos, dei por mim numa luta constante contra o tempo na ânsia de agarrar todas as oportunidades que me iam surgindo na vida. Decorrido tempo e por ser muito perfercionista, qualquer tarefa que fizesse revelava-se esgotante!!

O meu trabalho está ligado ao mercado de capitais onde a informação é tudo, o que significa horas a fio agarrado ao computador e ao telemóvel. A nossa geração vive colada ao telemóvel, objeto imprescindível para conhecer novas tendências e ter uma vida social ativa através do Facebook, Instagram, Notícias online, Cotação de Ações… Passei a acordar cansado, irritava-me com coisas sem significado e não tinha tempo para as pessoas que me são próximas, pois mergulhava nos problemas de trabalho e numa vida noturna que me ia esgotando. Sentia-me cansado, extremamente cansado, dormia mal, falava muito durante o sono, por mais que mudasse hábitos alimentares acordava sempre como se estivesse de ressaca.

Em novembro de 2014 não aguentei mais a pressão, encontrava-me deprimido, revoltado e ansioso todos os dias. Gastava toda a minha energia no trabalho. Adormecia no cinema, no carro e num sofá qualquer.  Enervava-me facilmente e bebia litros de café em busca da tal energia que o meu sono parecia recusar dar-me. Para mim era incompreensível a energia que os meus amigos e familiares tinham. Não conseguindo corresponder às minhas expectativas e às expectativas do meu círculo próximo, decidi pedir ajuda. Marquei consulta no Centro do Sono.

Tive vergonha de marcar a consulta mas ultrapassei os meus medos. Sabia que algo não estava bem, não sabia o quê, mas aos 28 anos não podia andar sempre a arrastar-me durante o dia.

No Centro do Sono  aprendi que o meu sono não era regular. O meu cérebro não descansava enquanto “dormia” e funcionava exatamente como se estivesse acordado. Com medicação e mudança de hábitos comecei a sentir-me melhor. Hoje em dia tenho a energia dos meus 18 anos. Aprendi a relativizar os meus problemas e a não levar trabalho para casa. Mais importante que isso, tento todos os dias limpar a minha cabeça e dar descanso ao meu cérebro. Bastou desligar o telemóvel durante alguns períodos do dia. Com o telemóvel desligado dou um passo atrás, ou talvez à frente,  observo o que me rodeia. Tento simplesmente observar sem pensar em nada.

Hoje sou mais feliz, hoje tenho mais tempo, hoje sou mais competente, hoje não vivo em guerra com o tempo. Hoje durmo bem, logo existo.”

 

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