Teresa Paiva explica Modelo dos 2 Processos e Homeostase do Sono

Teresa Paiva  A homeostasia é uma função essencial, pois conduz para um valor médio os valores de variáveis orgânicas que dele se afastam. Por exemplo, se tivermos muito frio, logo o nosso corpo estabelece mecanismos que tendem a repor a temperatura e, se tivermos muito calor, faz exatamente o mesmo mas em sentido contrário.

A homeostasia conduz-nos, assim, a um ponto ótimo de funcionamento e impede desvios perigosos, pois, como é costume dizer-se, “no meio é que está a virtude”.

Acontece que o sono é o nosso homeostato de fundo, que coordena todos os pequenos homeostatos do organismo. Por exemplo, se tivermos febre dormimos mais para arrefecer o cérebro e, se tivermos muito frio não iremos adormecer com facilidade.

A par disto há o dia e a noite, essa variação de luz, luminosidade, cor e temperatura ao longo das 24 horas. Acontece que o que Borbély fez no seu modelo dos 2 processos foi demonstrar que estas coisas estavam interligadas. Simulou a variação circadiana com uma sinusoide que, tal como a luz do dia, tem máximos e mínimos entre os quais varia continuamente. Simulou a homeostasia com uma função exponencial, pois, se pensarei bem, quanto mais tempo estivermos acordados, maior é a nossa propensão para adormecermos, mas, se dormirmos qualquer coisa, essa propensão diminui abruptamente.

Foi o que pensou Borbély: uma subida exponencial da propensão para dormir com uma descida também exponencial da mesma assim que se dorme, em interação com a regular e sinusoidal oscilação circadiana.

Parece simples, mas, para chegar a essa conclusão, foi preciso engenho e uma enorme perseverança de o testar em humanos e animais. Um trabalho de gigante, dele e da sua equipa.

Comments are closed.