“Juntos pelo Fernando”

O neurocientista português Fernando Lopes da Silva foi homenageado a 24 de janeiro de 2019, dia em que faria 85 anos, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e pelo Instituto de Medicina Molecular, numa iniciativa que visa perdurar o seu legado científico e que juntou dezenas de amigos que o acompanharam na vida académica e de investigação.

“Juntos pelo Fernando” foi o nome sugestivo da iniciativa, uma forma de mostrar o elo que se criou à sua volta mas também a interdisciplinariedade de saberes, que sempre foi uma das características do homenageado, já que os participantes na conferência são especialistas em diversas áreas.      

Fernando Lopes da Silva, professor e neurocientista, faleceu na Holanda, país onde vivia, vítima de doença prolongada, a 7 de maio de 2019. Licenciado em medicina e doutorado em neurofisiologia, vivia na Holanda desde 1965, onde se dedicou à investigação dos aspectos biofísicos da actividade eléctrica do cérebro e da organização funcional das redes neuronais. A origem dos fenómenos epilépticos foi um dos seus grandes temas de investigação.   

Em 1980 foi nomeado professor catedrático de fisiologia geral na Faculdade de Ciências da Universidade de Amesterdão. E de 1993 a 2000 presidiu ao Instituto de Neurobiologia, também da Universidade de Amesterdão. Jubilou-se nesta universidade em 2000, tornando-se professor emérito.

Teresa Paiva foi uma das intervenientes na conferência, que se realizou no IMM, no Auditório João Lobo Antunes. Recordou com saudade o amigo que teve de abandonar o seu país para não ser mobilizado para a guerra nas colónias que o regime de Salazar e Marcelo Caetano teimava em prosseguir. A neurologista e especialista em medicina do sono relembrou que Fernando Lopes da Silva teve um enorme sucesso na Holanda e que até hoje já foi citado mais de 43 780 vezes em artigos científicos.

“Fernando Lopes da Silva foi um mestre que me inspirou em muitos momentos da minha vida académica e médica”, disse Teresa Paiva. 

Fausto Pinto, diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa, Maria do Carmo Fonseca, Presidente do Instituto de Medicina Molecular, Maria de Sousa, cientista,  e  Pedro Guedes de Oliveira, engenheiro eletrotécnico, que se doutorou na Holanda com Fernando Lopes da Silva foram outros intervenientes na conferência.  

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