“Let it be” começou num sonho  

Paul McCartney, a estrela dos “Beatles” conta como, num momento difícil, a mãe lhe apareceu num sonho e lhe disse: “deixa estar”, “que seja”.

Estava a viver um momento muito difícil no Outono de 1968. Os Beatles começaram a ter problemas, como acontece a todos os grupos. Senti mesmo que podíamos estar à beira da separação. Deitava-me de madrugada, bebia muito, consumia drogas.

Sentia-me exausto. Enterrava a cabeça na almofada e adormecia de repente. Lembro-me de pensar: ‘ainda bem que acordei, senão sufocava’.

Então, numa noite, entre o sono profundo e a insónia, tive o sonho mais reconfortante sobre minha mãe, que morreu quando eu tinha apenas 14 anos.

Ela era enfermeira e trabalhou muito para não nos faltar o essencial. Quando chegava a casa ainda tinha de fazer o jantar. Não tivemos muito tempo um para o outro. Mas a minha mãe foi sempre uma presença muito reconfortante na minha vida.  Quando morreu, uma das dificuldades que tive, com o passar dos anos, foi recordar-lhe o rosto. Penso que é assim com muitos de nós.

Neste sonho, doze anos depois da sua morte, o rosto da minha mãe surgiu-me com nitidez , em especial os olhos dela. Falou-me com muita tranquilidade: “Deixa estar”.

Foi extraordinário. Acordei com um forte sentimento de comoção. Foi como se ela tivesse querido ver-me naquele momento tão difícil da minha vida para me deixar essa mensagem, para não lutar com as coisas, apenas para “deixa estar” e tudo se resolverá.

Então, fui para o piano e comecei a compor a letra: “quando me encontro em momentos difíceis, a minha mãe Mary vem até mim, dizendo palavras sábias, deixa estar…”. Escrevi a letra de seguida, em pouco tempo. “Let it be” acabou por dar nome  ao último álbum dos Beatles.

Pouco tempo após o sonho, juntei-me com Linda, que me salvou. “Let it be” também é uma das primeiras músicas que ela e eu cantámos juntos.

Hoje, a canção tornou-se quase um hino. Cantámo-la no funeral de Linda. E depois do 11 de Setembro de 2001 a rádio tocou-a muito, o que a tornou a escolha óbvia para cantar quando fiz o espectáculo de solidariedade em Nova York. Mesmo antes do 11 de setembro, as pessoas na estrada costumavam debruçar-se sobre os carros e camiões e dizer: “Eu sou Paul, deixa estar”.

 

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