“O meu irmão tinha um défice de sono por causa da vida agitada”

Adelino Amaro da Costa

FONTE: INSTITUTO ADELINO AMARO DA COSTA

Maria do Rosário Carneiro diz ao iSleep que o irmão Adelino Amaro da Costa “não tinha nenhum problema de sono”. “Era a vida agitada desse tempo que fazia com que dormisse pouco”, levando a  que durante o dia pudesse adormecer como uma pedra em diferentes lugares, como conta  a própria Maria do Rosário Carneiro na biografia que escreveu do irmão em 2010, “Histórias de uma Vida Interrompida” (em co-autoria com a jornalista Célia Pinheiro, edição Casa das Letras) através da recolha de vários testemunhos.

Falecido em 4 de Dezembro de 1980, há 35 anos, na queda de um avião em Camarate, juntamente com o então primeiro-ministro Sá Carneiro e outros ocupantes da aeronave, Amaro da Costa teve uma intensa actividade política, condensada em apenas seis anos. Foi um dos fundadores do CDS logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, deputado brilhante na Assembleia Constituinte e na Assembleia  da República, líder parlamentar e ministro da Defesa entre  3 de Janeiro de 1980 e a data da sua morte. Quem o conheceu bem diz ainda que a sua personalidade esfuziante e enorme alegria de viver, contribuíam também para que as horas de sono durante a noite fossem sacrificadas.

 

Amaro da Costa livro

 

Na biografia referida, Maria do Rosário Carneiro e Célia Pedroso recolhem os depoimentos de companheiros de partido, como Basílio Horta e Anacoreta Correia e do motorista José Lopes Cardoso. Este diz sobre Amaro da Costa “Adormecia logo mal  se sentava. Ele vivia a política, era a profissão dele, devorava jornais, deitava-se tarde, levantava-se cedo, dormia tão pouco que quando chegava ao meu lado já ia quase a dormir”.

Cardoso recorda a facilidade de Adelino em adormecer: “Ele chegava ao Boca de Sapo, recostava-se e passado uns minutos já dormia. E depois só acordava nos sítios, fosse em Portalegre ou em Moimenta e assim conseguia recuperar”.

Basílio Horta evoca ainda uma historia divertida , que lhe foi contada por Mário Soares. “Uma vez iam para o Porto num avião, sentaram-se, o avião arrancou mas acabou por não levantar voo e fez uma travagem brusca, de tal forma que caíram as malas e a bagagem. Soares levantou-se e o Adelino continuou a dormir.”

Eugénio Anacoreta Correia e a mulher, Joana, contam a Maria do Rosário Carneiro e Célia Pedroso que Amaro da Costa ficava por vezes na casa deles quando ia ao Porto “Ele já saía a dormir do elevador e caía no sofá.” referem. Eugénio e Adelino fizeram juntos bastantes acções e comícios no Norte: “Muitas vezes eu conduzia e ele ia a dormir ao meu lado; mas a partir da meia-noite, uma da manhã, acordava e aí era uma aceleração fantástica” diz Eugénio Anacoreta Correia.

Raul Dinis,  amigo desde os tempos de estudante diz sobre Amaro da Costa na mesma biografia: “A política acabou por ‘centrifugá-lo’ um pouco, a política desordenada com directas, trabalhando-se até às tantas durante os períodos conturbadíssimos da Revolução. É certo que tinha uma capacidade de trabalho enorme; desde que tivesse um cigarro, continuava a produzir e a escrever. E, claro, depois estava tão cansado que podia adormecer em qualquer lugar; quando parava aproveitava para recuperar o défice de sono”.

 

Comments are closed.