“O meu ritual de sono é apagar a luz”

Teresa Paiva foi a primeira entrevistada do novo podcast “O teu mal é sono”, autoria das cardiopneumologistas Sofia Rebocho e Bruna Reis.

A neurologista e especialista em medicina do sono falou sobre a experiência que tem tido com as teleconsultas no seu Centro de Medicina e Sono (CENC). Leia algumas partes da entrevista e ouça o podcast na íntegra em sono/ https://podtail.com/pt-PT/podcast/o-teu-mal-e-sono/

“No confinamento em casa houve pessoas que ficaram melhor, sem o stress do trabalho, sem bichas de trânsito, que foram viver para a terra. Nestas foi aliviante.”

“Outras, que já eram preocupadas, preocuparam-se ainda mais com a incerteza associada ao Covid, se há uma segunda vaga, se há vacinas, se há crise económica”.

“Estamos a realizar um inquérito sobre Sono e Covid, já com mais de 800 respostas, que prova que a maioria das pessoas não teve problemas de sono. Tornaram-se foi mais preocupadas e mais irritáveis. Nalguns casos as relações no casal pioraram e a vida quotidiana não foi fácil de gerir, com as crianças em casa, a ter aulas, na telescola”.  

“No entanto, sobretudo em novos doentes que surgiram nas consultas, apareceram casos agravados pela pandemia, pessoas que aumentaram de peso e podem ter apneia do sono, que aumentaram o consumo de álcool, pessoas que se começaram a deitar muito mais tarde por  estarem nas redes sociais, a ver séries, a jogar no telemóvel”.

“Irrita-me algumas pessoas dizerem que o sono é desnecessário, que se pudessem não dormiam, o que é de uma arrogância enorme.  Essas pessoas, que se consideram semi-deuses,  têm de entrar nos ritmos da natureza, nos ciclos da vida. Todos os animais dormem, fazemos parte de um ecossistema enorme, animais, plantas, natureza”.

“Para mim o sono é um super-poder. Estou cansada, durmo. O sono tem sido essencial para manter a minha capacidade física e cognitiva.”

Teresa Paiva revelou na entrevista alguns aspectos mais pessoais e curiosos:    

“Nas teleconsultas, tive situações caricatas. Uma mãe com três filhos pequenos esteve em teleconsulta e eles estiveram uma hora a dar pontapés na  porta. Por vezes os doentes não se lembravam do medicamento que estavam a tomar e diziam que iam ali à cozinha buscar para me dizerem”.   

“Durante o confinamento passei a ferro, fiz trabalho doméstico, o que não fazia há 40 anos. Não se pensa em nada, é bom para descansar do trabalho intelectual.”

“Não tenho muitos rituais de sono porque chego à cama e durmo. O meu ritual de sono é apagar a luz. Durmo bem e sem remédios”.  

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