“O sonambulismo ocorre uma hora depois de adormecer”

Teresa Paiva esteve a 29 de janeiro de 2020 no programa da TVI “Você na TV”, apresentado por Manuel Luís Goucha e Maria Cerqueira Gomes, para falar sobre sonambulismo.

“É uma perturbação que começa geralmente na infância ou no início da adolescência, sobretudo em rapazes, e ocorre uma hora depois de adormecer. Estão a sair do sono profundo, na primeira  fase do sono, e têm comportamentos semi-automáticos que podem ser perigosos, dos quais não têm memória  ou têm uma memória vaga. Podem descer uma escada e cair, sair de casa e pegarem no carro”, diz a neurologista e especialista em medicina do sono.     

“Há que distinguir o sonambulismo de outras perturbações do sono.  Há pessoas que se sentam na cama, desatam aos murros, gritam, saem do quarto e podem ir para a cama de outras pessoas. Pode tratar-se de crises epilépticas nocturnas ou parassónias do sono REM, um transtorno comportamental do sono REM”, adianta Teresa Paiva.  

Enquanto o sonambulismo ocorre a uma hora certa, uma hora depois de adormecer, as parassónias podem acontecer mais tarde, sem hora certa. Por sua vez, o sonambulismo termina no fim da adolescência, é raro continuar depois e as parassónias não”, acrescenta.     

Teresa Paiva falou também de insónias e terrores nocturnos nas crianças.

“Os terrores nocturnos não são sonhos nem pesadelos. As crianças não se lembram de nada, o cérebro está a dormir. Mas os comportamentos não são do sono. Nos terrores nocturnos não se deve interferir com a criança, quanto mais se interfere, mais dura. É melhor não fazer nada”, diz.

“As insónias são um mundo, não há duas insónias iguais. Pode não se dormir por causa de doenças como a fibromialgia e o cancro, situações de violência, stress, um estilo de vida azamboado, trabalhar de mais ou não ter nada para fazer, praticar exercício de mais ou de menos”, refere.  

Alexandra Parrado, uma doente de Teresa Paiva, participou no programa:  

“Comecei com insónias a partir dos 12 anos, tinha dificuldades em adormecer e acordava  mais cedo e não voltava a dormir.  Fazia tudo com grande esforço, ficava irascível, a minha  vida pessoal e social ressentiu-se. Depois melhorei bastante com o tratamento, alguns medicamentos que já deixei de tomar, e terapia cognitivo-comportamental”, diz.

“Muitas regras da terapia parecem ser do senso comum mas em conjunto são muito eficazes. Temos de nos levantar da cama se não dormimos, às vezes é preciso levantar mais de uma vez, ir à janela, ler.  Deitar a horas regulares também é muito importante, mesmo ao fim de semana”, acrescenta.    

Pode ver o programa no seguinte endereço electrónico: https://tviplayer.iol.pt/programa/voce-na-tv/53c6b3153004dc006243b077/video/5e3186850cf2c472ec722352

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