“Os gadgets vão revolucionar a medicina do sono”

Teresa Paiva foi convidada do  programa televisivo “Fronteiras XXI”, uma parceria entre a RTP 3 e a Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre “temas que desafiam Portugal e o Mundo”.

“Como dormem os portugueses” foi o tema em debate no programa de 4 de março de 2020  ,que teve ainda como convidados José Miguel Caldas de Almeida, pisiquiatra, e Dulce Neutel, neurologista. A moderação pertenceu à jornalista da RTP, Ana Lourenço.      

“O sono é essencial para a actividade cognitiva e para o equilíbrio emocional”, começou por dizer a neurologista e especialista em medicina do sono, lembrando que “alguns grandes génios dormiam muito, como Beethoven, Darwin, e Einstein”.

Do lado oposto, Teresa Paiva lembrou que “Margaret Thatcher dormia cinco horas e morreu com Doença de Alzheimher”.

A sesta foi uma das questões abordadas no programa, sobretudo a sua necessidade nas crianças.    

“A sesta no pré escolar deve ser feita, é uma violência, é quase criminoso não a fazer. A maioria das crianças tem essa necessidade e os pais têm direito a que os seus filhos façam a sesta. É importante que o PCP tenha voltado a colocar esta questão na Assembleia da República”, referiu Teresa Paiva sobre o assunto.   

Os hábitos de sono estiveram também em debate.  

“Temos hábitos disruptivos, hábitos tardios, por exemplo este programa começa às 22 horas, as pessoas jantam tarde, vão para a cama tarde. Mas depois levantamo-nos cedo”.

“E somos o país onde se trabalha mais horas e a produtividade é menor. As pessoas estão sempre em reuniões, sempre a interromper-se umas às outras e a fazer multitask”, adiantou Teresa Paiva.  

A especialista em medicina do sono recordou ainda que “até à revolução industrial as pessoas tinham dois sonos, dormiam até às três quatro da manhã, ficavam acordados e depois dormiam outra vez. No Dom Quixote até há uma referência a dois sonos. Com a revolução industrial passou a haver um sono compactado por causa do interesse económico”.

Os sonhos também estiveram em análise no programa.   

“Houve pessoas que descobriram invenções porque sonharam, como aconteceu com a máquina de costura e o Anel de Benzeno”, disse Teresa Paiva.

A especialista em medicina do sono também salientou que a maioria dos sonhos são com aspectos do quotidiano.  

“Quando sonhamos somos todos iguais, é um impriting da raça humana, uma identidade da espécie”, acrescentou.

No final do programa debateu-se a importância dos gadgets como meio de diagnóstico nas perturbações do sono.

“Temos de utilizar os gadgets na avaliação do sono, apostar em outros paradigmas de diagnóstico. Os gadgets vão revolucionar a medicina do sono”, defendeu Teresa Paiva.