“Os tripulantes de voo têm grande imprevisibilidade de horário de trabalho”

Teresa Paiva participou na conferência sobre o Desgaste e Penosidade da Profissão de Tripulante de Cabine, promovida pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil ( SNPVAC ) que se realizou a 2 de Abril no auditório do metropolitano de Lisboa.

A neurologista e especialista em medicina do sono referiu que “os profissionais deste sector têm uma grande imprevisibilidade do horário de trabalho, integrados em turnos que quebram com o ritmo biológico natural e interferem com o sono. Estas variações provocam fadiga e alterações cognitivas e demência, entre muitos outros fatores de risco na saúde”, como o cancro.

Luis Xarez, da Faculdade de Motricidade Humana, foi outro dos participantes da conferência que salientou os problemas de saúde a que este grupo profissional está sujeito, como “as lesões musculares e esqueléticas e nos ouvidos”, em virtude da turbulência e dos ruídos dos aparelhos.

Raquel Varela, investigadora da Universidade Nova, também participou na conferência, sublinhando que “os tripulantes de voo asseguram um serviço fundamental para a sociedade, mas com riscos sérios a nível físico e mental”.

À margem da conferência, em declarações à comunicação social, César Alves, referiu que os tripulantes de cabine é como se “trabalhassem numa montanha a 2300 metros de altitude, com o ar rarefeito, e ao mesmo tempo no deserto mais seco do mundo, o que só pode ter reflexos graves na saúde.” 

O SNPVAC apresentou uma petição com 13 mil assinaturas na Assembleia da  República com vista a que a profissão seja reconhecida de desgaste rápido, o que teria como resultado o menor número de anos de trabalho dos tripulantes de voo para atingirem a reforma.

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