“Ou durmo ou morro”

Dois profissionais de saúde que trabalham no Centro de Electroencefalografia e  Neurofisiologia Clínica – Dra. Teresa Paiva (CENC) participaram no trabalho multimédia do jornal Expresso publicado na última semana de Abril, intitulado “Ou durmo ou morro”, sobre diversas perturbações do sono.  

Ana Santa Clara, psiquiatra no CENC, referiu que o “maior problema é a falta de educação para o sono”,  que só se resolverá quando a temática for integrada no currículo escolar. “Tem de se fazer para o sono aquilo que se fez com as drogas, o tabaco, o álcool, a nutrição, caso contrário nada irá mudar.”

“A maioria das pessoas tem insónias por causa do stress profissional e da pressão no trabalho. Têm as suas vidas completamente absorvidas pelo trabalho e pelo caminho para o trabalho e de lá para casa, as horas que perdem nisso, a quase total incapacidade de gerir e conseguir conciliar a vida familiar com a profissional.” Depois há ainda o “problema do trabalho por turnos” e a “alternância entre manhãs, tardes e noites, que desestabiliza bastante”, diz Ana Santa Clara.

“A insónia é tudo menos uma doença que se trata com um comprimido para dormir. Quando não se dorme é preciso perceber porque é que não se dorme. Ninguém se lembra de tomar um antipirético durante dez anos seguidos porque tem febre dia sim, dia não. Vai-se à procura da causa. Como é que se toma um comprimido para dormir sem saber porque é que não se dorme?”, questiona a psiquiatra.

Teresa Rebelo Pinto, psicóloga e somnologista no CENC  diz que “as pessoas com insónias acabam por desenvolver uma relação muito má com o sono, com expectativas irrealistas sobre o seu próprio sono, e têm medo” de não conseguir dormir.

“As pessoas com insónia vivem muitas vezes à volta da insónia. É como se toda a sua vida se organizasse à volta do sono. Há um certo empolamento do problema”, diz Teresa Rebelo Pinto. Que resulta, frequentes vezes, “em mais ansiedade e stress”. acrescenta.

É preciso “corrigir esta perceção do lugar que o sono ocupa na nossa vida” e mudar um conjunto de “comportamentos e crenças” associadas ao sono.

 “Fazer a dessensibilização do quarto, da cama, do próprio sono. Tratar o problema como se tratam as fobias, para que as pessoas deixem de associar a cama à insónia e passem a associá-la ao sono e ao dormir bem”, afirma Teresa Rebelo Pinto.

“É como se ensinássemos a pessoa a voltar a dormir. O sono é uma função vital e, portanto, se criarmos as condições para ele aparecer, ele aparece. A pessoa com insónia acha que quanto mais horas se mantiver quietinha na cama mais facilmente vai adormecer, mas não é verdade. É preferível que se levante e vá fazer algo para se distrair até o sono vir” conclui a psicóloga e somnologista.

Pode ler o artigo multimédia  do jornal Expresso na íntegra no seguinte endereço electrónico:

https://multimedia.expresso.pt/insonias/?fbclid=IwAR3WyRZm1hsauYK3JoOJuAtUdL9lT6ao7Mj_ERvoOO3c-1R9w7QWxnmlYjc

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