Pai do “síndrome da apneia obstrutiva do sono” fez conferência em Lisboa  

O norte-americano Christian Guilleminault, médico, 78 anos, um dos maiores especialistas mundiais em medicina do sono, que desempenhou um papel central na descoberta do síndrome da apneia obstrutiva do sono, professor na Universidade de Stanford, em Palo Alto, na Califórnia, EUA, esteve em Portugal a 28 de Julho de 2017 para fazer uma conferência intitulada “apneia do sono: controvérsias do presente e tendências futuras”.

A conferência de Christian Guilleminault teve lugar na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, no Parque das Nações, e integrou-se-se na iniciativaTemas, Controvérsias e Desafios da Medicina do Sono”, organizada pelo Centro de Electroencefaografia e Neurofisiologia Clínica-Dra. Teresa Paiva, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Universidade Católica, Faculdade de Motricidade Humana e  Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Outros temas foram discutidos, nomeadamente “como reduzir a prescrição e o uso de remédios para dormir?”, “os critérios para prescrição de CPAP na Apneia devem ser iguais nos dois sexos?, “como classificar/tratar a insónia?”, “como garantir a sesta em infantários e pré-escolar nas instituições públicas e privadas?”, “o que nos dizem os hábitos de sono de figuras públicas”, “estratégias para convencer os adolescentes a dormir o que precisam”.

Christian Guilleminault começou por detectar que muitos exames do sono de pacientes  mostravam que a hipertensão nocturna ocorria quando ressonavam, desafiando os cardiologistas John Shroeder e Ara Tilkian a realizar estudos mais completos.

A equipa concluiu então que quando os pacientes dormiam e começavam a ressonar, observavam-se pausas prolongadas na respiração (apneias) que correspondiam por sua vez a subidas significativas da pressão arterial, como se estivessem a fazer exercícios extenuantes, por exemplo levantar pesos.

Guilleminault foi o “pai” do conceito de “síndrome da apneia obstrutiva do sono” (OSAS), comumente utilizado hoje em dia. Também descreveu a presença de OSAS em crianças, demonstrando a associação com problemas de défice de atenção e aprendizagem, hiperactividade e comportamentos anormais durante a vigília e sono, sonambulismo, terrores nocturnos, enurese e distúrbios cardiovasculares.

O médico norte-americano criou ainda, em conjunto com William C. Dement, o “pai” da medicina do sono nos EUA, o índice Apneia-hipopneia, ainda hoje utiizado para caracterizar a presença e o grau de severidade da apneia do sono.

 

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