O que pensa Teresa Paiva de não mudar a hora?

A médica especialista em medicina do sono falou na semana passada à RTP 1 sobre a moção que o Parlamento Europeu aprovou para que a Comissão Europeia não mude para a hora de Verão no último domingo de Março, como hoje acontece, adiantando uma hora aos relógios.

“Estamos de acordo com não mudar a hora, seguindo o ritmo solar. A mudança da hora causa-nos pequenos jet-lag” que são prejudiciais ao dormir.

“Os riscos para a saúde dos humanos são maiores. A não ser que seja extremamente necessário do ponto de vista económico, a hora não deve ser alterada”, disse Teresa Paiva.

Os defensores de adiantar os relógios uma hora no verão e atrasá-los uma hora no Inverno, ficando-se a dever uma hora ao sono no verão  é aproveitar a luz do sol poupar energia.

Teresa Paiva adverte que “um dos grandes problemas de hoje é a pessoas não apanharem sol, o que pode provocar  cancro, depressão, insónia, demência”.

“Muitas pessoas levantam-se ainda de noite,  estão sempre no trabalho com luz artificial e chegam a casa já de noite”.

Por exemplo, “os centros comerciais são muito luminosos mas têm pouca intensidade de luz solar”, o que não contribui para acertar os  ritmos circadianos, diz a neurologista e especialista em medicina do sono.

Teresa Paiva já tinha falado no ano passado ao iSleep sobre os efeitos negativos da mudança da hora de verão com os pequenos jet-lag.

“A mudança para a hora de verão assemelha-se a ir de Lisboa para Paris, é um pouco pior, traduzindo uma privação de sono de uma hora”, disse a especialista em medicina do sono.

“Há resultados, ainda que contraditórios, em relação à maior prevalência de acidentes de viação nos dias seguintes à mudança da hora de Verão. Também de enfartes de miocárdio”, acrescentou.

“Aumenta também o cyberloafing, o ‘vadiar’ pela internet, provavelmente em  consequência da privação de sono”, concluiu Teresa Paiva.

A mudança da hora deve-se a uma directiva da União Europeia que determina que os países membros devem entrar na hora de inverno no último domingo de Outubro e adoptar a hora de verão no último domingo de Março, independentemente do fuso horário em que se encontrem, e teve como objectivo inicial a poupança de energia.

 

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