“Quem trabalha cansado não é produtivo”

Teresa Paiva participou no longo trabalho jornalístico que o jornal Expresso publicou a 29 de junho de 2019 sobre sono e produtividade.

Quantas horas devemos dormir para sermos produtivos, questionou a jornalista do Expresso, Cátia Mateus. “Varia de pessoa para pessoa”, referiu a neurologista e especialista em medicina do sono. Os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) mostram que “Portugal está entre os países que trabalham mais horas, mas também é dos menos produtivos”, acrescentou.

A estatística, diz Teresa Paiva, “comprova que quem trabalha cansado não é produtivo”. Ora, “as atuais práticas laborais, o aumento das horas de trabalho e o ritmo a que trabalhamos não beneficiam o descanso e, consequentemente, lesam a nossa produtividade”, adiantou.

Teresa Paiva considera essencial  as empresas terem um papel ativo na promoção dos bons hábitos de sono dos seus trabalhadores e que estes “percebam de uma vez por todas, que aguentar longas horas de trabalho em regime multitasking, sob elevada pressão e acumulando cada vez mais tarefas, não é, nem deve ser, motivo de brio profissional. É uma opção que se paga caro, com a saúde ou até com a vida”.

A cronobióloga do Centro de Electroencefalografia e Neurofisiologia Clínica – Dra. Teresa Paiva, Cátia Reis, foi outra das participantes na reportagem do Expresso. Questionada sobre se é possível ter uma vida normal e ser produtivo dormindo, por sistema, quatro a cinco horas por noite, Cátia Reis disse perentoriamente que não. “As pessoas que efetivamente têm uma necessidade de sono de quatro a cinco horas por noite (short sleepers) são muito poucas. Muitas acabam por conseguir fazê-lo mas quando têm oportunidade de dormir, como em dias de folga, dormem muito mais e isso é um sinal de que o tempo que dormiram durante a semana de trabalho foi, claramente, insuficiente”, referiu ao Expresso.

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