“Ritmos de sono diferentes não separam o amor e até podem reforçá-lo”

Inês Maria Menezes, cronista e apresentadora dos programas da rádio “Fala com Ela” e “O Amor é”, diz ao iSleep que “não imagino como se encontra lucidez no meio de uma vida vertiginosa em que se dorme pouco”. Sobre os ritmos de sono diferentes num casal diz que “camas separadas não separam o amor. Até podem reforçá-lo”.

No “Fala com Ela”, para além da entrevista com a Professora Teresa Paiva, já houve conversas sobre sono com algum dos convidados?

Não, normalmente só de sonhos… Mas por ser uma questão que me interessa gosto de perceber que hábitos de trabalho ou rotina têm os meus convidados, e isso inclui também a noite e o sono.

O Amor (também) é respeitar o sono de cada um? Mesmo quando um dos elementos  do casal dorme manifestamente demais…?

O Amor é um eterno jogo de cedências. Dificilmente o par terá os mesmos ritmos de sono por isso há que negociar e respeitar. Duas camas separadas não separam o amor: até podem reforçá-lo.

Já escreveu alguma vez sobre o sono nas suas crónicas?

Já, muitas vezes. Sou “outra” quando durmo pouco, mais vulnerável, frágil a todos os níveis, mais pessimista. E depois de uma boa noite de sono, tanta coisa muda.

Muitos políticos referem que dormem pouco. Devemos sentir-nos tranquilos face às decisões cruciais que tomam?

Sou muito céptica em relação àquilo em que a política se tornou, um jogo de interesses e normalmente em benefício do jogador, nunca da massa que o elegeu. Dizer que dormimos pouco não faz de nós heróis. Pelo contrário. Os heróis do nosso tempo são anónimos. Preferia de facto que os políticos dormissem bem e nesse sono encontrassem sensatez e humanidade.

O ex-ministro grego Yanis Varoufakis, disse que estava aliviado por se ter libertado “de uma vida enlouquecida, absolutamente inumana, em que dormiu duas horas por noite durante cinco meses”. Duas horas por noite parece bastante pouco…

Duas horas de sono por noite leva qualquer um a uma espiral de loucura. A mim basta-me uma noite mal dormida para me dar cabo de uma semana. Não imagino como se encontra lucidez no meio dessa vida vertiginosa.

Tem comportamentos de higiene do sono, como não beber café, deitar a horas regulares, etc.

Não posso beber café ainda que goste muito. O café deixa-me em alerta e portanto também me afecta o sono. Hoje em dia deito-me, se puder, antes das 11 da noite.

Já acordou a meia da noite com uma ideia? Regista-a?

Nas raras noites de insónias, normalmente de domingo para segunda-feira, acontece-me entrar num turbilhão criativo que não me deixa dormir. Não registo. Se for realmente importante, a ideia ou a conclusão, dorme comigo e acorda no dia a seguir intacta.

Já foi acordada às tantas da noite por um telefonema insólito?

Não, nunca tenho som no telefone.

Qual o texto literário sobre o sono ou o sonho que gosta mais?

“Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo”, de

Sophia de Mello Breyner Andresen

O que pensa da expressão Deus não dorme?

Gostaria de acreditar em ambos.

Já houve alturas em que sentiu que o sono foi bom conselheiro? Em que medida a ajudou?

O sono é sempre bom conselheiro. Dormir bem afasta fantasmas e demónios.

É mais “coruja” ou “cotovia”?

Cotovia! Sou nitidamente uma mulher das manhãs, da luz que nos ilumina bem cedo.

Lembra-se de alguma história pessoal ou profissional divertida com o sono ou a falta dele? 

Só retenho o riso da minha filha enquanto dorme.

Pode contar-nos um sonho fantasioso que tenha tido?

Prefiro revelar que normalmente tudo o que sonho nunca acontece: as coisas boas também não. Por isso já fui muito feliz em sonhos que terminaram ao amanhecer.

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