Sete anos sem luz solar

Quase irreconhecível  ao fim de quase sete anos em que se sitiou na embaixada do Equador em Londres, as causas do estado de debilidade física e psicológica de  Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, parecem óbvias.

Assange viveu sete anos num edifício sem quintal, com escassa exposição solar, num país onde as horas de sol, em virtude do clima, são poucas.

No escritório de cerca de 20 m2 em que viveu na embaixada, que muitas vezes foi também o seu dormitório, a única luz foi a de um potente lâmpada no tecto.   

A falta de exposição de Assange à luz solar, conduziu-o certamente à falta de vitamina D, que provoca sintomas como distúrbios do sono, cansaço, fraqueza, dores musculares e ósseas.

No entanto, este défice é possível de compensar através de medicamentos com vitamina D, não com resultados tão eficazes num tempo tão longo de sete anos e com o problema dos efeitos secundários em virtude de uma administração prolongada.

O problema maior da fata de exposição à luz do sol tem a ver com a afectação dos ritmos circadianos, que perturbam a qualidade do sono.        

Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono, refere que  “a luz do sol é o nosso sincronizador essencial”. E que é através da luz que incide sobre os  olhos que melhor se faz a sincronização.

“Os olhos não são apenas um órgão visual, são também um órgão  circadiano, fundamental na regulação circadiana. Os nossos olhos têm uma relação altamente complexa com o cérebro, com as zonas visuais, mas também com o nosso ‘master clock’, o nosso relógio mandão, o nosso relógio central ou nuclear, que é o núcleo supraquiasmático, relacionado com a produção hormonal, com a actividade cognitiva, com o ciclo sono vigília, com a multiplicação celular”, refere.

“Temos uma relojoaria altamente complexa no nosso corpo , um relógio na pele, nos genes, no cérebro, nos pulmões, baço…. As nossas hormonas são produzidas de uma forma seriada, há muitas hormonas que são produzidas à noite, ao longo do dia. Todos os erros feitos ao nível da disrupção do ritmo circadiano têm consequências terríveis”, acrescentou. Nos últimos anos, foi relatado por familiares, amigos  e jornalistas que visitaram Assange, vários problemas físicos e psicológicos, como perturbações do sono e da  visão, bem como descontrolo emocional e atitudes bizarras e irracionais

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