O Sono de Dalí

Na pintura O Sono (1937), de Salvador Dali, uma cabeça disforme e lassa, desprovida de corpo, sustenta-se em várias muletas assentes no chão, sugerindo a entrada no sono e, simultaneamente, na dimensão do sonho. Em A Vida Secreta de Salvador Dalí, autobiografia publicada em 1942, Dalí diz imaginar o sono como um monstro pesado apoiado nas muletas da realidade.

Durante o sono, a realidade imaterializa-se e desdobra-se em possibilidades, liberta das contingências das leis físicas e mundanas. Paradoxalmente, para que este seja possível, é necessário aquilo a que Dalí chama o “equilíbrio psíquico”, representado pelas muletas assentes no chão, sem o qual tudo se desintegra, dando lugar à insónia.

Porque pressupõe o acesso ao inconsciente, o mundo dos sonhos foi um tema central na corrente surrealista, fortemente influenciada pel’A Interpretação dos Sonhos de Freud.

Dalí tinha o hábito de adormecer com uma tela junto à cama para, ao acordar, registar nela as “fotografias de sonhos pintadas à mão”.