“Sou narcoléptica mas hoje durmo quase uma noite toda”

Felicidade Rodrigo  Moraes

Nicole Lopes, 37 anos, narcoléptica, presta um depoimento ao isleep sobre as melhorias que teve com terapia e medicação adequada.

“Costumava dizer: as pessoas passam um quarto das suas vidas a dormir, eu passo só um quarto acordada. Hoje é muito diferente. Passados vinte  e quatro anos, medicada só há onze, durmo quase uma noite toda em vez das 3 horas, em noites muito boas. Os pesadelos e alucinações (tácteis e auditivas) desapareceram, as crises de cataplexia são raras, o desejo de adormecer e não acordar mais por vezes ainda me assombra. A situação ainda não é ideal, mas a esperança de uma vida normal nasceu. Comecei a sentir-me menos “zombie”, capaz de fazer mais coisas durante o dia, emagreci alguns quilos e não me preocupo tanto com o que as pessoas dizem.

Se pudesse deixar uma mensagem aos familiares e amigos das pessoas com narcolepsia, seria um pedido de compreensão. Não fazer brincadeiras em relação ao sono ou ao aumento de peso associado, não julgar, não dar sugestões como se soubessem o que estamos a passar, mas sim aceitar que a pessoa evolua no seu ritmo.

Para os narcolépticos, a minha sugestão é que procurem manter horários muito regulares todos os dias e que não tenham vergonha de fazer sestas programadas durante o dia. Será sem dúvida muito difícil, mas a longo prazo compensa e ajuda a regular a sonolência. A ajuda profissional é essencial para o tratamento eficaz desta doença.”

 

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