Teresa Paiva concorda com o fim da mudança da hora

A médica neurologista, especialista em medicina do sono, defende que a Europa deve adoptar a hora de Inverno, renunciando a adiantar o relógio uma hora no verão, no último domingo de Março, tal como hoje acontece.

“Estamos de acordo em não mudar a hora, seguindo o ritmo solar. A mudança da hora causa-nos pequenos jet-lag que são prejudiciais ao dormir e aumentam os riscos para a saúde”, diz Teresa Paiva.

“A mudança para a hora de verão assemelha-se a ir de Lisboa para Paris, traduzindo uma privação de sono de uma hora, podendo  causar nos primeiros dias cansaço, dor de cabeça, sonolência  e sensação de sono pouco reparador”, refere.

“Há estudos que sugerem maior prevalência de acidentes de viação nos dias seguintes à mudança da hora de verão. Também de enfartes de miocárdio”, acrescenta.

Um estudo da Neuroscience Letters refere que a qualidade do sono diminui devido ao facto de as pessoas dormirem uma hora a menos na hora de verão, o que provoca sonolência durante o dia.

Por sua vez, um estudo publicado no The American Journal of Cardiology refere que durante a primeira semana do horário de verão há tendência a verificarem-se mais ataques de coração devido ao aumento do stress.

Segundo alguns estudos finlandeses, as alterações no padrão de sono causadas pela mudança para a hora de verão diminuem o estado de alerta, o que aumenta os acidentes rodoviários.

Também os acidentes laborais ocorrem com maior frequência e têm maior gravidade logo após a mudança para a hora de verão, segundo um estudo publicado no Journal of Applied Psychology.

Teresa Paiva considera ainda que a mudança para a hora de Verão “aumenta o cyberloafing, o ‘vadiar’ pela internet, provavelmente em  consequência da privação de sono”, conclui a especialista em medicina do sono.

A esmagadora maioria dos europeus quer deixar de mudar a hora duas vezes por ano, acabando com a distinção entre a hora de verão e a hora de inverno. Mais de 80 por cento de 4,6 milhões de pessoas votaram neste sentido numa consulta pública promovida pela Comissão Europeia. Esta deverá acatar este resultado e propor a cada Estado-membro da União Europeia que o faça. A medida deverá ser aplicável em 2020 mas os Estados-membros são livres de decidir sobre a matéria.

 

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