Teresa Paiva defende horário único

O governo português já decidiu manter o actual regime bi-horário, com uma hora de Inverno e uma Hora de Verão.

Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono no país tem uma posição diferente.

“Portugal devia adoptar a hora de Inverno, renunciando a adiantar o relógio uma hora no verão, no último domingo de Março”

“Deste modo seguiríamos o ritmo solar. A mudança da hora causa-nos pequenos jet-lag que são prejudiciais ao dormir e aumentam os riscos para a saúde”, diz Teresa Paiva.

“A mudança para a hora de verão assemelha-se a ir de Lisboa para Paris, traduzindo uma privação de sono de uma hora, podendo  causar nos primeiros dias cansaço, dor de cabeça, sonolência  e sensação de sono pouco reparador”, refere.

“Há estudos que sugerem maior prevalência de acidentes de viação nos dias seguintes à mudança da hora de verão. Também de enfartes de miocárdio”, acrescenta.

Na verdade, um estudo da Neuroscience Letters refere que a qualidade do sono diminui devido ao facto de as pessoas dormirem uma hora a menos na hora de verão, o que provoca sonolência durante o dia.

Por sua vez, um estudo publicado no The American Journal of Cardiology refere que durante a primeira semana do horário de verão há tendência a verificarem-se mais ataques de coração devido ao aumento do stress.

Segundo alguns estudos finlandeses, as alterações no padrão de sono causadas pela mudança para a hora de verão diminuem o estado de alerta, o que aumenta os acidentes rodoviários.

Também os acidentes laborais ocorrem com maior frequência e têm maior gravidade logo após a mudança para a hora de verão, segundo um estudo publicado no Journal of Applied Psychology.

Teresa Paiva considera ainda que a mudança para a hora de Verão “aumenta o cyberloafing, o ‘vadiar’ pela internet, provavelmente em  consequência da privação de sono”.

Portugal vai manter a hora de verão e a hora de inverno apesar de uma consulta pública europeia, em que participaram 4,6 milhões de europeus,  ter decidido o horário único com 84 por cento. A maioria das participações veio da Alemanha (68%), enquanto que Portugal apenas contribuiu com 0,7 das respostas.

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