Um sonho de Arianna Huffington

“Os sonhos foram sempre uma parte importante da minha vida. Nos meus vinte anos, fascinada pelo trabalho de Carl Jung, comecei a manter um diário de sonho todos os dias. A maioria dos meus sonhos eram confusos, por vezes surreais da minha vida diária, mas havia também rasgos genuínos de percepção. Tal como contei em Thrive, um sonho em particular em particular era tão claro e tão poderoso que ficou comigo desde então  — e, com o passar do tempo, tornou-se ainda mais claro e significativo. No sonho, eu estava num comboio a caminho de casa para Deus (tenham paciência!). Era uma longa viagem e tudo o que estava a acontecer na minha vida compunha o cenário ao longo do caminho. Algumas das partes eram belas e eu queria ficar ali mais tempo, talvez agarrar-me a elas ou até levá-las comigo. Outras partes da viagem eram passadas a atravessar uma paisagem árida e feia. Fosse como fosse, o comboio avançava. E a dor surgia sempre que eu me agarrava ao cenário, quer fosse belo ou feio, em vez de aceitar que era tudo apenas parte do caminho, contendoalgum propósito oculto, uma bênção escondida ou um pouco de sabedoria. Ao longo dos anos, à medida que fui revisitando vezes sem conta variações deste sonho, aprendi a vê-lo como uma grande lição para vivermos a vida como se – tal como diz o poeta Mowlana Jalaluddin Rumi – tudo estivesse manipulado a nosso favor”.

in Arianna Huffington, A Revolução do Sono, Matéria-Prima, Lisboa 2016

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