“A lua só dorme de dia”

Elizabeth Bishop (1911-1979), poetisa norte-americana, escreve um poema intitulado “Insónia”:

“A lua no espelho da cómoda
está a mil milhas, ou mais
(e olha-se, talvez com orgulho,
porém não sorri jamais)
muito além do sono, eu diria,
ou então só dorme de dia.

Se o Mundo a abandonasse,
ela o mandava para o inferno,
e num lago ou num espelho
faria o seu lar eterno.
— Envolve numa compressa e lança
tudo que te faz sofrer no poço desse mundo inverso,
onde o esquerdo é o direito,
onde as sombras são os corpos,
e à noite ninguém se deita,
e o céu é raso como o oceano
é profundo, e tu me amas”.