“Fernando Lopes da Silva tem uma herança científica mas também uma herança de atitude e moral”

Teresa Paiva participou na homenagem ao Professor Fernando Lopes da Silva, que se realizou a 6 de abril de 2022, promovida pela Bial, no âmbito da 13.ª edição do Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, também organizado pela farmacêutica portuguesa.

A 7 de maio de 2002 assinalou-se o terceiro aniversário da morte de Fernando Lopes da Silva.

A neurologista e especialista em medicina do sono, colega e grande amiga de Fernando Lopes da Silva considerou que a sua “herança não é apenas uma herança científica mas também uma herança de atitude e moral”.

Fernando Lopes da Silva, Licenciado em Medicina e Doutorado em Neurofisiologia, viveu na Holanda desde 1965, onde se dedicou à investigação dos aspectos biofísicos da actividade eléctrica do cérebro e da organização funcional das redes neuronais. A origem dos fenómenos epilépticos foi um dos seus grandes temas de investigação.   

Em 1980 foi nomeado professor catedrático de Fisiologia Geral na Faculdade de Ciências da Universidade de Amesterdão. Entre 1993 e 2000 presidiu ao Instituto de Neurobiologia, também da Universidade de Amesterdão. Jubilou-se nesta instituição universitária em 2000, tornando-se Professor Emérito.

Depois da jubilação, assumiu as funções, em 2003, de presidente do Conselho de Supervisão Científica do Centro de Neurogenómica e Investigação Cognitiva da Universidade Livre de Amesterdão. A partir de 2000 foi ainda professor visitante da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e, desde 2005, professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde esteve na génese da licenciatura em engenharia biomédica, visando promover e estimular uma estreita ligação entre a engenharia e a medicina.

Fernando Lopes da Silva foi distinguido com o título Doutor Honoris Causa em 1997 pela Universidade de Lisboa e em 2002 pela Universidade do Porto.

Em 2000, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu-lhe o grande-colar de oficial da Ordem de Santiago da Espada, por notáveis realizações no campo da ciência e cultura. Em 2004 recebeu o Prémio Universidade de Coimbra para a individualidade “de nacionalidade portuguesa que tenha dado um contributo relevante e inovador nos campos da cultura ou da ciência”.

A nível internacional, também foram várias as distinções recebidas por Fernando Lopes da Silva. Em 1985 foi eleito membro da Academia  Real Holandesa de Artes e Ciências e em 2007 recebeu o título Doutor Honoris Causa pela Universidade de Helsínquia.

Em 1995 tornou-se membro honorário da Sociedade Britânica de Neurofisiologia Clínica. Em 1999, recebeu o Prémio Herbert H. Jasper, atribuído pela Sociedade Americana de Neurofisiologia Clínica por uma “vida de extraordinárias contribuições para o campo da neurofisiologia clínica”. Em 2001, a Rainha Beatriz da Holanda atribuiu-lhe o grau de Cavaleiro da Ordem do Leão Holandês em reconhecimento pelas suas realizações no campo da ciência.

Fernando Lopes da Silva, faleceu aos 84 anos, a 7 de Maio de 2019, vítima de doença prolongada.

 

 

Partilhar: