Alimentação altera ciclos de sono

É uma investigação muito útil nesta época festiva, em que se comem alimentos diferentes e em maior quantidade. 

Investigadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, administraram a um grupo de ratinhos de laboratório durante quatro semanas um coktail de antibióticos, mantendo a sua alimentação normal.

A outro grupo de ratinhos, o grupo de controlo, os investigadores mantiveram a alimentação durante o mesmo período, sem administração de antibióticos. 

Os investigadores encontraram diferenças significativas nos microorganismos das floras intestinais nos dois grupos de ratinhos.    

A produção de neurotransmissores foi o campo mais afetado nos ratinhos que tomaram antibióticos. Por exemplo, o triptofano existente no estômago destes ratinhos, substância existente em muitos alimentos, não foi transformado em serotonina, ao contrário do que se verificou no grupo de controlo.   

Os resultados também mostraram que o grupo dos ratinhos que tomaram antibióticos tinham menos vitamina B6, que acelera a produção dos neurotransmissores serotonina e dopamina.

Um dos objectivos do estudo era avaliar o sono dos ratinhos após a experiência, observando a sua actividade cerebral através de electroencefalogramas.

Os ratinhos com administração de antibióticos tinham mais sono REM e NREM à noite, quando deviam estar activos, e menos sono de dia, quando deviam estar a dormir (esta espécie aninal está acordada de noite e dorme de dia). Ou seja, inverteram o seu ritmo circadiano, o que não aconteceu com os ratinhos do grupo de controlo.  

Segundo os investigadores, o estudo demonstra que a desfloração intestinal elimina a serotonina. Sabe-se que os níveis desta no cérebro podem afetar os ciclos de sono/vigília. Deste modo, alterar os microrganismos no intestino, mudando a dieta, tem o potencial de ajudar quem têm problemas para dormir.

Os investigadores terminam o artigo científico com uma nota de humor:

“Nesta temporada de festas, quando estiver com sono depois de comer peru recheado com triptofano, não se esqueça de agradecer aos micróbios do seu intestino!”

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