“Amália nem com os filmes do Fred Astaire dormia”

 

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Na próxima terça-feira faz 16 anos que Amália Rodrigues faleceu, o que levou o iSleep a falar com a grande amiga Estrela Carvas, que trabalhou com a maior fadista portuguesa mais de 30 anos, sobre os problemas que Amália tinha para dormir. Fred Astaire era um conforto mas não funcionava logo.

“A Amália tinha grandes problemas em dormir, deitava-se sempre de madrugada, já de dia, porque queria estar com as pessoas e tardava sempre a hora de ir para a cama, rejeitava o sono” diz Estrela Carvas, que trabalhou com a fadista mais de 30 anos.

“A noite significava uma paragem na vida, o silêncio, e ela tinha horror à solidão e à morte.  Daí ter a casa com muita gente até de madrugada, para ver se não ia para a cama. Foi um problema que se agravou quando deixou de cantar em finais de 1994 e depois foi operada. Mesmo com os comprimidos, o Lorenin, não dormia. Com os filmes, os livros de cowboys e a literatura de cordel que via e lia para ver se lhe vinha o sono também não era fácil”, acrescenta Estrela Carvas.

“Ela adorava o Fred Astaire e muitas vezes víamos os filmes mas mesmo assim não dormia facilmente. Quando pegava no sono e eu me levantava, ela acordava de repente e dizia-me: ‘onde é que a menina pensa que vai?’. Com a literatura de cordel que um médico a aconselhou a ler foi muito pior. Ela enervava-se com as histórias, a falta de qualidade daquilo, e ainda perdia mais o sono”, diz Estrela Carvas.

Para além destas declarações que fez ao iSleep, Estrela Carvas já tinha escrito sobre o sono de Amália  no livro “Os meus 30 anos com Amália” (editora Guerra e Paz, 2009) onde conta, divertida, que numa altura Amália atirou-se aos livros de cowboys: “eu comprava-os às dúzias e ela lia-os, adormecendo nas primeiras páginas – mas a grande maioria das vezes era eu que lia alto porque ela não tinha paciência. À noite, na cama, não dispensava a companhia dos tiros, dos cowboys e daquelas aventuras do faroeste.

Certa noite, já altas horas, acabaram-se os livros: ela tinha lido tudo e eu ainda não tinha comprado mais. ‘Estrela, não tenho os comprimidos’, dizia ela com muita graça. Não havia se não irmos  ‘farmácia’. E, então, lá fomos as duas de carro até à estação de Santa Apolónia, para ver se encontrávamos um quiosque aberto onde pudéssemos comprar os ‘medicamentos’”.

 

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