Até foram precisos colchonetes para derrubar Dilma

 

Dilma Rousseff

O Senado brasileiro demorou mais de 20 horas para aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Há um mês na Câmara de Deputados foram 55 horas e houve quem levasse colchões de espuma para dormir.

Foram horas sem sono para os  senadores brasileiros  mas nada que se compare com a maratona de 55 horas quase seguidas que a Câmara dos Deputados teve de fazer há um mês para votar o impeachement de Dilma, tal como manda a constituição brasileira, obrigando primeiro a câmara baixa do país a pronunciar-se.

Eram quase sete da manhã de 12 de Maio em Brasília (quase 11 horas em Lisboa)  quando os senadores votaram o impeachment de Dilma, que conduzirá para já à sua suspensão do cargo. O impeachment foi aprovado por uma maioria de 55 votos.

A sessão para o impeachment de Dilma foi uma das mais demoradas da história do Senado Federal, orgão com 81 senadores que funciona no Palácio Nereu Ramos, em Brasília. Os trabalhos começaram às dez da manhã de quarta-feira (14 horas em Lisboa), com uma hora de atraso em relação ao previsto.

Há um mês, foram necessárias quase 43 horas para discutir o impeachment de Dilma Rousseff na Cãmara dos Deputados, a sessão mais prolongada dos últimos 24 anos. Ao ponto de os assessores parlamentares e funcionários da câmara terem sido instruídos a levarem roupas e colchonetes, conhecidos em Portugal como colchões de espuma, para dormirem.

Os trabalhos desta câmara baixa, com 513 deputados, que funciona no Palácio do Congresso Nacional, também em Brasília, começaram às nove da manhã de 15 de Abril, uma sexta-feira e terminaram na madrugada de 17 de Abril. Neste dia ainda se realizou a votação formal do impeachment, com a declaração de voto dos deputados, o que se prolongou até à madrugada de 18 de Abril, mais cerca de 12 horas, o que perfaz 75 horas no total para derrubar a presidente brasileira.

Dilma Rousseff foi a primeira mulher  presidente do Brasil desde a proclamação da República em 15 de Novembro de 1889. Ao longo da vida política foi também a primeira mulher em várias funções, designadamente como secretária da Fazenda do governo de Porto Alegre em 1985, ministra das Minas e Energias em 2002, chefe da Casa Civil da Presidência da República em 2005. Dilma Rousseff  é o segundo presidente do Brasil a ser objecto de impeachment depois de Collor de Mello em 1992.

Na biografia que o jornalista brasileiro Ricardo Batista Amaral escreveu sobre Dilma Rousseff, “A Vida Quer é Coragem”, este recorda a citação feita por Dilma do escritor João Guimarães Rosa no discurso de tomada de posse em 1 de Janeiro de 2011: “o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim; esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.