Avós que ajudam ao descanso

 

Teresa Paiva 6

A 26 de Julho comemora-se o Dia dos Avós. Para celebrar a data, o iSleep publica um artigo da  Professora Teresa Paiva sobre o papel crucial dos avós e das pessoas mais velhas em muitas tarefas, na família e na sociedade.  Muitas obras, feitos e invenções foram criadas quando os autores já tinham idade considerável…

“Avó, de que cor é o teu cabelo? Branco. É da cor do leite!

O meu neto não dizia que o cabelo era branco como a neve que, de tão fria, até queima, não falava em cãs, nem se referia à saudade. Na sua sabedoria infantil, contrariava muitos espíritos adultos e de pessoas responsáveis para quem há uma “peste grisalha”

Foi para contrariar a violência muitas vezes perpetuada sobre idosos  que fiz uma pesquisa sobre os feitos dessa dita “peste grisalha”. Aqui vão uns tantos:

 

  • O código Morse foi descoberto quando Samuel Morse tinha 47 anos.

 

  • Edgar Rice Burroughs, criador do Tarzan, foi correspondente de Guerra aos 66 anos.

 

  • Bell ainda fazia invenções com 75 e Edison produziu o telefone aos 84.

 

  • Golda Meir foi primeiro ministro aos 70, Winston Churchill aos 66 e aos 77 e Adenauer aos 88.

 

  • Charles de Gaulle e Ronald Reagan foram presidentes aos 69.

 

  • Franklin deu a sua contribuição para a constituição dos EUA aos 81.

 

  • Goethe acabou o Faustocom 81, Tolstoi escreveu I cannot be silent aos 82, Somerset Maugham escreveu Pontos de vista aos 84, e Bernard Shaw escreveu as Farfetched Fables aos 93.

 

  • Claude Monet ainda pintava aos 70-80 anos, Miguel Ângelo aos 88 e Picasso aos 90.

 

  • Albert Schweizer ainda operava com 89 anos.

 

  • Elizabeth Arden e Coco Chanel governaram as companhias respectivas até aos 85.

 

  • Palmira Bastos representou pela última vez com 89 anos.

 

  • Rubinstein tocava aos 90 e Pablo Casals aos 96.

 

  • Tesichi Igarishi subiu o Monte Fuji a pé com 100 anos.

 

  • Manoel de Oliveira realizou 20 filmes a partir dos seus 82 e lançou o seu filme O Gebo e a Sombra aos 104.

 

Estes, dir-me-ão, são gente de sucesso, mas há por aí uma multidão de gente inútil e doente que faz a sociedade gastar imenso dinheiro. A trapalhada da pirâmide invertida!

Enquanto não decidem retomar um hábito da velha Esparta, deitando todos os velhos pela borda fora, quiçá em Sagres ou no cabo Espichel, gostaria de apontar que, sem grande brilho, sem pompa ou circunstância, há por aí muitas cabeças grisalhas a serem quotidianamente úteis:

 

– Há as mães de 80 anos que voltam a cuidar dos filhos desempregados e divorciados aos quarenta.

 

– Há avós a tomar conta dos vários membros da prole subitamente sem casa e sem emprego.

 

– Há maridos a tomar conta das mulheres agora dementes, e vice-versa.

 

– Há pelo país fora velhotes, e só eles, a cuidar de campos, hortas e aldeias, garantindo com os seus cuidados a identidade milenar.

 

– Há muitos reformados embrenhados em acções de solidariedade.

 

– Há muitos avós a tomar conta dos netos, contrabalançando assim o peso excessivo que recai sobre os pais trabalhadores, permitindo-lhe mais  períodos de descanso e lazer.

 

– Há muitos velhos que continuam a trabalhar e a ganhar as suas vidas.

 

– Há velhos que, vivendo teimosamente sozinhos, contrariam a pecúnia imobiliária.

 

– Há muitos velhos que, nas suas memórias, são repositórios únicos da cultura popular e das nossas memórias colectivas.

 

– Há cabeças grisalhas a tomar conta dos destinos políticos.

 

– Há uma rede nacional de solidariedade, de instituições e pessoas que, organizada fora da loucura vigente, mantém intocadas, vivas, impecáveis, capelas, igrejas, lares e outros apoios sociais.

 

– São cabeças grisalhas que silenciosamente perpetuam em cada igreja a frase de Jesus Cristo: “Fazei isto em memória de mim”.

 

As escrituras ensinam que a idade traz sabedoria. Por isso, os patriarcas bíblicos, Abraão, Isaac e Jacob eram velhos e as instituições mais estáveis ao longo da história, tais como as Igrejas, as Universidades ou as Forças Armadas, têm sido governadas por cabeças grisalhas.”

 

 

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