Balanço mundial Covid-19 versus perturbações do sono

A revista britânica Lancet publicou no início do ano um artigo assinado pelo especialista do sono, Markku Partinen, em que se faz o   balanço mundial dos problemas do sono relacionados com a Pandemia Covid-19.

“Os primeiros estudos de distúrbios do sono associados ao COVID-19 foram relatados na China. (…) Foi realizada uma investigação com 7236 voluntários (idade média de 35,3 anos). Cerca de um terço dos sujeitos eram profissionais de saúde. Cerca de 35% dos participantes relataram sintomas de ansiedade geral, 20% de depressão e 18% de má qualidade do sono”, refere a Lancet.

“Os participantes que estavam mais preocupados com a pandemia foram os que relataram mais sintomas. Os profissionais de saúde estiveram claramente sob grande pressão, o que se refletiu na elevada prevalência de sintomas relacionados com a saúde mental que relataram”.

O aumento da prevalência de distúrbios do sono em 2020, relacionado com o Covid-19 também foi salientado noutras publicações científicas de diferentes países. Os estudos referidos avaliaram o efeito da infecção SARS-CoV-2 sobre o sono e fatores de perturbação relacionados com o isolamento, a quarentena, a ansiedade, o stress ou as perdas financeiras.

“Na Itália, a ansiedade relacionada com o COVID-19 esteve significativamente  associada com os distúrbios do sono. Num estudo que envolveu 2.291 italianos, 57,1 % relataram má qualidade do sono, 32,1% ansiedade elevada, 41,8% angústia grave e 7, 6% sintomas de stress pós-traumático”, refere a Lancet.

Embora os estudos relacionados com o COVID-19 tenham dominado a investigação em 2020, a Lancet refere que a apneia do sono grave  não tratada, associada a morbidade e mortalidade cardiovascular, foi a área mais investigada.  

Partilhar: