Cientista alemão que criou conceito de jet lag social esteve no CENC

Till Roenneberg, professor da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, na Alemanha, o maior especialista mundial em ritmos biológicos e ciclos de sono, a quem se deve a paternidade do conceito de jet lag social, visitou o Centro de Electroencefalografia e Neurofisiologia Clínica-Dra. Teresa Paiva  na primeira semana de Fevereiro. Till Roenneberg realizou ainda uma conferência na Faculdade de Medicina de Lisboa subordinada ao tema “Human Rhythms, Sleep and Health”.

Num mundo moderno sempre on line e activo nas redes sociais, o jet lag social leva frequentemente a que as horas de trabalho e os compromissos sociais não sejam compatíveis com o relógio biológico. Milhões de pessoas em todo o mundo vivem por isso desajustadas, sofrendo um impacto semelhante às longas viagens aéreas, em diferentes fusos horários.

Os efeitos do jet  lag social são comuns ao do jet lag aéreo, podendo causar dificuldades de concentração, fadiga, insónia, depressão, problemas gastrointestinais, etc.

“Cada pessoa tem o seu relógio biológico, um cronotipo único. Algumas pessoas têm um relógio interno que coincide com o seu relógio exterior. Outras podem ter o seu relógio interno desfazado várias horas antes ou várias horas depois do seu relógio exterior”, disse Till Roenneberg. “O jet lag social mede a diferença entre o nosso calendário social e o nosso relógio biológico”, acrescentou o cronobiólogo.

Till Roenneberg falou ainda sobre as diferenças entre os cronotipos da população alemã e portuguesa, muito diferentes entre si. O alemão deita-se  em média cerca de uma hora mais cedo e levanta-se uma hora mais cedo que o português. Os portugueses são, aliás, um dos povos que mais tarde se deita e mais tarde se levanta no mundo. Mesmo em relação aos espanhóis, os portugueses deitam-se meia-hora mais tarde.