O controlo anti-doping de madrugada colide com o direito ao descanso?

sono futebolista
FOTO: THEARCTI BLUES

Há seis anos um controlo anti-doping dos jogadores da selecção nacional de futebol em estágio na Covilhã causou grande polémica por ter sido feito de supresa antes das oito da manhã, quando muitos jogadores ainda estavam a dormir. O então seleccionador nacional, Carlos Queirós, reagiu mal e foi mesmo alvo de um processo disciplinar por palavras ofensivas dirigidas à equipa médica.

Hoje, a maioria dos controlos anti-doping aos altetas federados de alta competição continua  a ser feito áquelas horas matinais. Há dois anos, a selecção nacional de futebol, no tempo do seleccionador Paulo Bento, foi mesmo controlada às sete da manhã.

“Há algumas razões clínicas que podem justificar as análises feitas de manhã cedo, por exemplo o facto de a urina ter menos densidade do que durante o dia em virtude da água que o atleta bebe” diz ao iSleep António Júlio Nunes, director executivo da Autoridade Antidopagem de Portugal (ADOP).

“A maioria dos atletas escolhe o controle anti-doping entre as sete e as oito da manhã” acrescenta. Esta situação deve-se ao facto, de os atletas estarem obrigados a comunicar à ADOP onde se encontram diariamente e a que horas estão disponíveis ao longo de todo o ano, num  plano que é apresentado trimestralmente pelo atleta à autoridade antidopagem.

“Muitos escolhem o horário matinal por ser o mais cómodo, na medida em que sabem que estão normalmente em casa àquelas horas”, diz António Júlio Nunes.

“Há responsabilidades dos atletas de alta competição que podem limitar as suas vidas”, acrescenta.

A questão é sensível. Os atletas, muitos deles amadores, escolheriam  outro horário que não o matinal se conseguissem prever nas suas vidas, com a antecedência de três meses, onde estão e a que horas de um determinado dia? Prefeririram , então,  salvaguardar o seu direito ao descanso e das suas famílias?

A Autoridade Antidopagem teve em 2014 como grupo alvo do sistema de localização do praticante desportivo, 516  atletas de várias modalidades. Foram realizadas no mesmo ano 3215 anostras, com uma percentagem de 22,7 de violações ao sistema de localização.

 

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